Manter a glicemia sob controle vai muito além de cortar o açúcar do café. Na prática, hábitos aparentemente inofensivos podem dificultar, e muito, o equilíbrio dos níveis de glicose no sangue. O problema é que esses erros costumam passar despercebidos até que os sintomas apareçam.
De acordo com a endocrinologista Isabela Carballal, do Hospital Brasília, em Águas Claras (DF), sinais como cansaço excessivo, sede constante, vontade frequente de urinar, visão turva e dificuldade de concentração são indicativos comuns de glicemia desregulada, mas que muitas vezes são ignorados por serem sutis e progressivos.
A cardiologista e nutróloga Maysa Lugan, da Clínica Aloe, em Brasília, reforça que, em alguns casos, especialmente na pré-diabetes, a pessoa pode nem apresentar sintomas, o que torna o acompanhamento médico e exames periódicos ainda mais importantes.
As duas especialistas listam os maiores erros de quem está tentando controlar os níveis de glicose no sangue.
Seis erros comuns que dificultam o controle da glicemia
1. Focar apenas no açúcar
Reduzir doces é importante, mas não resolve a situação sozinha. Pães, massas e outros carboidratos refinados também elevam a glicemia rapidamente, principalmente quando consumidos em excesso.
2. Ignorar a qualidade da alimentação
Uma dieta pobre em fibras e proteínas favorece picos de glicose ao longo do dia. Segundo Maysa, isso reduz a saciedade e aumenta a variabilidade da glicemia, dificultando o controle.
3. Ter uma rotina alimentar irregular
Pular refeições ou comer em horários desorganizados impacta diretamente os níveis de glicemia, favorecendo oscilações e dificultando a resposta do organismo.
4. Ser sedentário
A falta de atividade física reduz a capacidade do corpo de utilizar a glicose. “O exercício melhora a sensibilidade à insulina e ajuda no controle da glicemia”, explica Isabela. A recomendação é de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física.
5. Subestimar o impacto do estresse e do sono
Esse é um dos erros mais negligenciados. O estresse aumenta o cortisol, hormônio que eleva a glicemia. Já dormir mal prejudica a ação da insulina e favorece maior instabilidade dos níveis de glicose.
6. Não seguir corretamente o tratamento
Automedicação, uso irregular de remédios ou abandono do acompanhamento médico comprometem o controle da glicemia. Segundo as especialistas, quando mudanças no estilo de vida não são suficientes, o uso de medicamentos pode ser necessário, sempre com orientação individualizada.
Por que isso importa
O controle inadequado da glicemia pode evoluir silenciosamente e aumentar o risco de complicações, como doenças cardiovasculares, problemas renais e danos neurológicos.
Por isso, mais do que evitar o açúcar, é fundamental olhar para o conjunto: alimentação, sono, atividade física, saúde mental e adesão ao tratamento. Ignorar qualquer um desses pilares pode comprometer todo o processo, mesmo quando a pessoa acredita estar fazendo “o básico”.







