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Brasil tem queda de 78% nos casos de dengue em relação a 2024, mas alerta continua

Segundo especialista, 2024 não deve ser usado de referência, por ter sido um ano atípico, e insiste que a dengue continua sendo motivo de alarme

por Da Redação
16/07/2025
em Saúde
Tempo de leitura: 3 minutos
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Dengue e zika são transmitidas pela picada do Aedes aegypti • Joao Paulo Burini/GettyImages

Dengue e zika são transmitidas pela picada do Aedes aegypti • Joao Paulo Burini/GettyImages

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Nos primeiros seis meses de 2025, o Brasil registrou uma queda de 78% nos casos de dengue em relação ao mesmo período do ano passado. Até junho de 2025, foram 1,2 milhão de casos confirmados contra 5,6 milhões nos primeiros seis meses de 2024.

Segundo especialistas, a redução é um reflexo do aumento de pessoas já contaminadas pelo vírus do ano passado, o que faz com que haja mais anticorpos na população, e portanto, menos contaminações e menos casos este ano

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“Então, não tinha mais gente para ter dengue pelo sorotipo 2, é o esgotamento dos suscetíveis”, afirma Kleber Luz, professor do Instituto de Medicina Tropical da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e parte do comitê de dengue da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

O ano de 2024 registrou um recorde histórico de casos e mortes pela doença no Brasil. O número de mortes confirmadas por dengue superou a soma de óbitos nos oito anos anteriores. O ano terminou com mais de 5,9 milhões de casos confirmados e um total de 6.297 mortes, segundo o painel de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde.

Justamente por ter sido um período tão atípico, Luz afirma que 2024 não deve ser usado de referência para análises futuras, e reforça que em 2025, apesar da diminuição, os casos continuam sendo motivo de alarme.

Este ano, já foram confirmadas 1.437 mortes pela doença e o coeficiente de incidência do Brasil chega a 695,8 por 100 mil habitantes. Quando esse valor atinge ou ultrapassa 300, a região é considerada epidêmica pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

O número de casos deste ano é puxado pela região Sudeste, que concentra 69,5% dos casos prováveis, conforme o painel de monitoramento. O estado de São Paulo registra o maior coeficiente de incidência do Brasil até junho (1.840,1), seguido de Goiás (1.146,8) e do Acre (1.024,7).

A região Sudeste começou a registrar números mais expressivos de dengue desde 2023, o que médicos creditam ao aumento de temperatura, que favorece a expansão do Aedes aegypti para outras regiões, como o Sul do Brasil.

Com a redução de casos em 2025 em relação a 2024, o ano volta a ter números mais semelhantes a 2023, que registrou 1.203.340 casos confirmados até junho.

Segundo Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), se por um lado o vírus este ano encontrou uma população naturalmente imunizada em 2025, por outro, a dengue é uma doença com quatro sorotipos, e, portanto, é possível tê-la mais de uma vez.

“E, principalmente, quando você teve a primeira infecção, a segunda pode ser mais grave, e isso normalmente acontece com outro sorotipo da dengue. A chance desse segundo quadro ser grave é muito maior”, afirma.

Desde 2014, os tipos 1 e 2 se alternam como os mais prevalentes. Mas, a partir de 2024, o ressurgimento do tipo 3 passou a preocupar especialistas em saúde pública, que passaram a temer que, este ano, os casos saíssem do controle. Mas não foi o que aconteceu até então.

Em fevereiro, a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) emitiu um alerta epidemiológico sobre o aumento do risco de surtos de dengue nas Américas devido à crescente circulação do sorotipo 3.

No Brasil, o tipo 3 reapareceu em 2023. Na época, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) afirmou que o país não registrava epidemias da doença provocadas por essa cepa há mais de 15 anos, e circulou também em 2024.

A dengue grave ocorre com mais frequência em pessoas que já tiveram a doença e são infectadas novamente por outro sorotipo. O subtipo 3 também foi identificado na Colômbia, Costa Rica, Guatemala, México e Peru.

“O tipo 3 não superou o tipo 2, ele não aumentou tanto quanto poderia ter aumentado. Fica a dúvida para o ano que vem. Mas se a dengue 3 voltar a circular, vai ser um ano muito pior”, diz Ballalai.

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