Dor intensa, crises recorrentes e risco de complicações graves fazem parte da rotina de quem vive com anemia falciforme. A doença genética altera o funcionamento das células do sangue, comprometendo a circulação e exigindo tratamento contínuo para evitar agravamentos. Estima-se que entre 60 mil e 100 mil pessoas vivam com doença no Brasil.
Tratamento é essencial para evitar complicações
O controle da anemia falciforme depende de acompanhamento contínuo e de medidas que ajudam a reduzir a frequência das crises. O tratamento inclui hidratação constante, já que ela melhora a circulação sanguínea e diminui o risco de obstruções nos pequenos vasos, além do uso de medicamentos e do monitoramento em serviços especializados, como hemocentros.
Entre os remédios mais utilizados para o tratamento estão o ácido fólico, importante para suprir a maior demanda do organismo na produção de hemácias devido à destruição precoce das células, e a hidroxiureia, considerada mais eficiente na circulação do que a hemoglobina alterada característica da doença.Play Video
“A hidroxiureia promove vasodilatação e estimula a produção de hemoglobina fetal. Com o acompanhamento adequado, é possível reduzir significativamente o número de crises e o risco de complicações graves, como lesões em órgãos, AVC e problemas renais”, explica o hematologista Emmanuel Lacerda.
Em casos selecionados, também pode ser indicado o transplante de medula óssea, que é atualmente a única possibilidade de cura, mas depende de critérios específicos, como a compatibilidade entre doador e paciente, e envolve riscos que precisam ser cuidadosamente avaliados pela equipe médica.
No tratamento também podem ser indicadas transfusões de sangue, que ajudam a aumentar a quantidade de hemácias normais na circulação e prevenir complicações graves, como o acidente vascular cerebral (AVC).
De acordo com o hematologista João Bosco de Almeida Neto, do Hospital Geral de Itapevi, em São Paulo, o exercício físico leve e moderado pode ser benéfico para pacientes que não possuam complicações crônicas graves decorrentes da doença falciforme.
“Entre os benefícios, estão a melhora na capacidade muscular de troca de oxigênio e a diminuição dos níveis de lactato sanguíneo. Isto se traduz em melhor tolerância aos exercícios e melhor aproveitamento na vida em geral”, informa.
O que pode desencadear as crises?
Diversos fatores do dia a dia podem favorecer o surgimento das crises na anemia falciforme. Situações como frio, desidratação e infecções podem favorecer a obstrução dos vasos. Baixa ingestão de líquidos e o esforço físico sem hidratação adequada também aumentam o risco de crises.
“Dor no peito, por exemplo, exige atendimento imediato, assim como sintomas neurológicos, pelo risco de AVC mesmo em pacientes jovens”, alerta o hematologista.
Como a anemia falciforme age no corpo?
A anemia falciforme é causada por uma alteração genética na hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. Essa mudança faz com que as hemácias, que normalmente têm formato arredondado, assumam uma forma semelhante à de uma foice.
Esse processo desencadeia dois mecanismos principais no organismo: a destruição das hemácias, que causa anemia, e a obstrução de pequenos vasos, que compromete a circulação. O diagnóstico da anemia falciforme é feito por meio da eletroforese de hemoglobina, exame que já faz parte do teste do pezinho.







