As projeções para a pecuária de corte indicam cenário positivo para o outono, especialmente no segmento de reposição, com um movimento contínuo de valorização do bezerro. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que, no Mato Grosso do Sul (mercado de referência para o segmento) a cotação do bezerro nelore, de 8 a 12 meses, já aumentou 1,30% no acumulado de março, com o preço médio nesta sexta-feira (20/3) atingindo R$ 3.266,08 a cabeça.
Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta semana que o abate de bovinos cresceu 8,2% em 2025, alcançando o recorde de 42,9 milhões de cabeças. Desse total, 48,% foram fêmeas, uma participação recorde. Segundo a Scot Consultoria, o maior abate de fêmeas nos últimos anos já reflete em menor oferta de bovinos mais jovens e aumento de preços para as categorias de reposição.
O diretor da Trajano Silva Remates, Marcelo Silva, observa um aumento na procura por bezerros e expectativa de valorização nas vendas da temporada. Para o leiloeiro, a demanda atual por animais jovens têm sustentado cotações elevadas, principalmente para lotes de maior qualidade. Criadores que dispõem de bezerros de padrão superior têm conseguido negociar com agilidade.
O diretor explica que no Rio Grande do Sul, principal Estado de atuação da Trajano Silva, as negociações atuais refletem essa procura. “Hoje, nós estamos tendo uma procura muito grande para reposição. E quem tem bezerros de primeira linha vende por R$ 15,00 o quilo à vista. As fêmeas um pouco menos, ficando entre R$ 13,50 e R$ 14,00. E sempre são animais de muita qualidade”, destaca.
O comportamento também se repete em outras regiões do país. Ao analisar o desempenho da pecuária de corte em nível nacional, Silva observa que as cotações dos terneiros já alcançam patamares mais elevados no Centro-Oeste. “Então, nós estamos achando que a reposição vai valer bastante e teremos uma boa temporada de vendas agora no outono”, ressalta.






