Quanto recebeu cada filme apoiado pelo Programa de Apoio ao Filme Brasileiro Candidato a uma Indicação ao Oscar
| Ano de participação | Filme selecionado pela ABC | Apoio Financeiro Ancine | Apoio Financeiro SAV | |
|---|---|---|---|---|
| 2008 | Última Parada 174 | R$ 150.000,00 | ||
| 2009 | Salve Geral | R$ 150.000,00 | ||
| 2010 | Lula, o filho do Brasil | R$ 150.000,00 | ||
| 2012 | O Palhaço | R$ 150.000,00 | ||
| 2013 | O som ao redor | R$ 150.000,00 | R$ 134.000,00 | |
| 2014 | Hoje Eu Quero Voltar Sozinho | R$ 150.000,00 | ||
| 2015 | Que Horas Ela Volta? | R$ 242.448,44 | ||
| 2015 | O menino e o mundo* | R$ 242.448,44 | ||
| 2016 | Pequeno Segredo | R$ 197.268,53 | R$ 300.000,00 | |
| 2017 | Bingo – O Rei das Manhãs | R$ 250.000,00 | R$ 200.000,00 | |
| 2018 | O Grande Circo Místico | R$ 214.500,00 | R$ 200.000,00 | |
| 2021 | Deserto Particular | R$ 182.500,00 | ||
| 2022 | Marte Um | R$ 200.000,00 | ||
| 2023 | Retratos Fantasmas | R$ 460.047,00 | ||
| 2025 | O Agente Secreto | R$ 800.000,00 |
*Os filmes selecionados em 2011, 2019, 2020 e 2024 não receberam apoio do programa
*Secretaria do Audiovisual (SAV), do Ministério da Cultura
Valor total: R$ 4.522.212,41
Apesar de terminar a cerimônia do Oscar 2026 sem estatuetas, O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, fez história ao conquistar quatro indicações na maior premiação do cinema. Para viabilizar a campanha internacional, o filme recebeu R$ 800 mil da Agência Nacional do Cinema (Ancine).
O incentivo faz parte de um programa federal que, desde 2008, financia a campanha do filme brasileiro selecionado para representar o país na maior premiação do cinema mundial.
Ao longo de 18 anos, cerca de R$ 4,5 milhões foram investidos em 15 produções por meio do Programa de Apoio à Divulgação do Filme Brasileiro Candidato a uma Indicação ao Oscar. A primeira contemplada foi Última Parada 174, de Bruno Barreto, que recebeu R$ 150 mil em 2008, mas não chegou a ser indicada.
Desde então, além de O Agente Secreto, apenas O Menino e o Mundo conseguiu uma indicação, concorrendo ao prêmio de Melhor Animação em 2016. Já a produtora de Ainda Estou Aqui, primeiro filme brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025, optou por não receber o apoio financeiro.
Entre o primeiro repasse e o mais recente, o valor destinado às produtoras cresceu 433%. A variação do dólar e as oscilações orçamentárias ao longo de diferentes governos ajudam a explicar o aumento, segundo a Ancine.
Programa de Apoio ao Oscar
Todos os anos, a Academia Brasileira de Cinema (ABC) seleciona a obra que representará o país na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional. Depois, cabe à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, nos Estados Unidos, definir os indicados.
Administrado pela Ancine, o programa busca ampliar a visibilidade internacional do filme escolhido para disputar uma vaga no Oscar. O foco é a categoria de Melhor Filme Internacional. Até hoje, apenas O Menino e o Mundo recebeu apoio após ter a indicação oficializada em outra categoria.
“O programa contribui para o fortalecimento da cadeia produtiva nacional, para a internacionalização do cinema brasileiro e para o aumento da competitividade do setor”, explicou a assessoria da Ancine ao Metrópoles.
Os recursos são provenientes do orçamento da própria Ancine, conforme a dotação prevista para cada ano. Em quatro ocasiões, a Secretaria do Audiovisual (SAV) complementou o apoio financeiro.
Todo filme escolhido pela ABC pode solicitar o incentivo. A produtora precisa manifestar interesse, apresentar o orçamento da campanha e comprovar regularidade fiscal e trabalhista.
As empresas contempladas têm até 120 dias para prestar contas. Os gastos devem ser feitos exclusivamente com ações de divulgação internacional e não podem ter sido realizados antes da aprovação.
Custos e impactos
Para muitos espectadores, o valor de R$ 800 mil investido em O Agente Secreto pode parecer alto para a campanha de um filme. Ainda assim, alguns fatores precisam ser considerados. A maior parte das despesas ocorre em dólar e envolve serviços especializados.
Os gastos incluem assessoria de comunicação internacional, publicidade, produção de materiais físicos e digitais, viagens de elenco e participação em eventos. Segundo Miriam Spritzer, da Hollywood Creative Alliance, as campanhas começam meses antes da cerimônia — marcada para 15 de março de 2026 — e envolvem ações que vão de outdoors a custos com figurino, cabelo e maquiagem.
“É como promover uma marca, é como promover uma empresa ou até uma pessoa, seja para um cargo político, seja para lançar um álbum”, reflete.
A projeção internacional gera efeitos que vão além do troféu. Além de aumentar o público nas salas de cinema, há impacto direto na cadeia audiovisual, com novas oportunidades profissionais, coproduções e atração de investimento estrangeiro.

Para Adriana Donato, doutora em Políticas Públicas, políticas culturais são financiadas por diferentes fontes, como o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e o Fundo Nacional da Cultura (FNC).
Segundo ela, é possível equilibrar programas como o do Oscar — concentrado em uma única obra — com projetos voltados à formação técnica, educação audiovisual e produtores independentes.
“Quanto aos impactos culturais e sociais, podemos citar a valorização do produto cultural brasileiro, de artistas e produtores culturais, além de efeitos positivos em áreas como qualidade de vida, rendimento escolar e redução da violência”, observa.
A promoção internacional é apenas um dos custos envolvidos na produção de um filme. O Agente Secreto, por exemplo, recebeu R$ 7,5 milhões do FSA para a produção. França, Alemanha e Holanda também apoiaram a obra com R$ 14 milhões — o que reforça a importância de atrair investimentos externos para o cinema nacional, um dos objetivos das campanhas ao Oscar.







