As contas do governo central — Tesouro Nacional, Banco Central (BC) e Previdência Social — registraram déficit primário de R$ 61,6 bilhões em 2025.
No entanto, após as deduções, o resultado é de déficit de R$ 13 bilhões, cerca de 0,10% do Produto Interno Bruto (PIB), indicando que a meta fiscal, de déficit zero, foi cumprida. No entanto, o resultado oficial, será divulgado na próxima sexta-feira (30/1), pelo Banco Central.
Os dados fazem parte do Relatório do Tesouro Nacional (RTN), divulgado nesta quinta-feira (29/1).
Em 2024, foi observado um déficit de R$ 42,9 bilhões (em valores não corrigidos pela inflação). Em dezembro de 2025, no entanto, houve superávit primário de R$ 22,1 bilhões, frente a superávit de R$ 24,1 bilhões em dezembro de 2024.
Em termos reais, a receita líquida apresentou um aumento de 2,8% e a despesa total registrou uma alta de 3,4% em 2025, quando comparadas ao ano anterior.
O resultado deste ano decorreu de um superávit de R$ 255 bilhões do Tesouro e do Banco Central e um déficit de R$ 317 bilhões na Previdência Social.
- Déficit é quando um governo tem mais despesas do que receitas, superávit é quando acontece o contrário.
- Resultado real é ajustado por um índice de inflação, resultado nominal é o valor bruto, sem ajustes inflacionários.
Receitas e despesas
Em dezembro de 2025, a receita total apresentou elevação de R$ 7,6 bilhões (2,5%), enquanto a receita líquida apresentou elevação de R$ 3,9 bilhões (1,6%) em termos reais frente a dezembro de 2024.
Segundo o Tesouro, o aumento da receita líquida em dezembro de 2025 foi explicado, em grande medida, pelo desempenho das receitas administradas pela Receita Federal. Os principais destaques foram:
Imposto sobre a Renda – aumento de R$ 6,1 bilhões
Cofins – aumento de R$ 4 bilhões
Arrecadação Líquida para o RGPS – aumento de R$ 5,1 bilhões
Concessões e Permissões – redução de R$ 6,3 bilhões
Dividendos e Participações – redução de R$ 13,9 bilhões
Exploração de Recursos Naturais – aumento de R$ 7,8 bilhões
No acumulado do ano, a receita total apresentou elevação de R$ 90,8 bilhões (3,2%), enquanto a receita líquida apresentou elevação de R$ 64,3 bilhões (2,8%) em termos reais frente ao acumulado de 2024.
Imposto sobre a Renda – aumento de R$ 43,6 bilhões
IOF – aumento de R$ 15,4 bilhões
Outras Receitas Administradas pela RFB – aumento de R$ 13,7 bilhões
Arrecadação Líquida para o RGPS – aumento de R$ 37 bilhões
Dividendos e Participações – redução de R$ 26,3 bilhões
Exploração de Recursos Naturais – aumento de R$ 14,8 bilhões
Com relação as despesas, em dezembro, contra mesmo mês de 2024, despesa total apresentou aumento de R$ 6,9 bilhões (3,1%) em termos reais.
Benefícios Previdenciários – aumento de R$ 4,9 bilhões
Pessoal e Encargos Sociais – aumento de R$ 3,9 bilhões
Créditos Extraordinários – redução de R$ 9,0 bilhões
Discricionárias – aumento de R$ 4,4 bilhões
Com relação ao cumulado do ano, a despesa total apresentou elevação de R$ 79,1 bilhões (3,4%) em termos reais frente ao acumulado de 2024.
As principais variações foram:
Benefícios Previdenciários – aumento de R$ 41,4 bilhões
Pessoal e Encargos Sociais – aumento de R$ 16,9 bilhões
Benefícios de Prestação Continuada da LOAS/RMV – aumento de R$ 10,8 bilhões
Créditos Extraordinários – redução de R$ 20,7 bilhões
Fundeb – Complementação da União – aumento de R$ 10 bilhões
Discricionárias – aumento de R$ 11,9 bilhões
Entenda as contas do governo central
- Um superávit primário ocorre quando as receitas têm saldo maior do que as despesas, sem contar os juros. O déficit primário ocorre quando esse resultado é negativo. Juntos, eles formam o “resultado primário”.
- No acumulado de 2024, o governo central teve déficit primário de R$ 43 bilhões — equivalente a 0,36% do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo com o resultado negativo, a meta fiscal de 2024 foi cumprida.
- A meta do governo federal para 2025 é de déficit fiscal zero. Isso significa a busca da equipe econômica pelo equilíbrio das contas públicas, com receitas equiparadas às despesas.
A meta fiscal para 2025
Assim como no ano anterior, o governo federal persegue a meta fiscal de déficit fiscal zero em 2025. Ou seja, a busca pelo equilíbrio das contas públicas, com receitas equiparadas às despesas.
A ideia é que haja aumento gradual até 2028, quando se prevê chegar ao superávit primário de 1% do PIB.
Confira as demais projeções:
2026: superávit de 0,25% do PIB (R$ 34 bilhões)
2027: superávit de 0,50% do PIB (R$ 70,7 bilhões)
2028: superávit de 1% do PIB (R$ 150,7 bilhões).





