A combinação de uva com açaí é a aposta da Timbaúba, empresa de sucos naturais de Petrolina (PE), para aumentar as exportações e conquistar o mercado asiático.
No Vale do São Francisco, região conhecida pela produção de frutas, legumes e verduras (FLV), a Timbaúba apostou nas frutas de mesa desde 1990, mas, em 2016, mudou a rota e passou a produzir sucos integrais e água de coco.
Para Sydney Tavares, presidente da Timbaúba, a estratégia deu resultado. Com mecanização das operações e aproveitamento integral das frutas colhidas, a empresa passou a crescer e chegou ao faturamento de R$ 172 milhões em 2025.
Em uma propriedade de 2.500 hectares, 1.000 hectares são irrigados, divididos em 600 hectares para uva, 300 hectares para coco e 100 hectares em implementação para açaí, nova aposta da companhia.
Na visão de Tavares, o Vale do São Francisco se mantém “preso” à cultura da manga e da uva de mesa, e a Timbaúba decidiu apostar no açaí como alternativa estratégica para ampliar seu portfólio e ganhar o mercado externo. “Precisamos trazer outras culturas para a região e gerar mais renda.”
Os testes com açaí começaram em 2023, e os primeiros frutos foram colhidos no fim de 2025. A combinação de uva com açaí é vista com grande potencial pela companhia. “É uma bebida que explora o apelo de superfruta do açaí”, afirma o presidente.
Tavares ressalta também que o desafio é estimular o consumo do suco de açaí, em detrimento do “sorbet”, que tradicionalmente é o produto mais aceito no Brasil à base da fruta.
Segundo ele, o suco já está no mercado doméstico e também no Japão e na China, países que possuem alta aceitação pela fruta amazônica. Cerca de 350 lojas em Tóquio e Osaka já comercializam o produto, embalado sob a marca “OQ”, da Timbaúba.
Com projeção de faturar R$ 210 milhões em 2026, a Timbaúba vai investir R$ 100 milhões nos próximos quatro anos, com a meta de dobrar de tamanho até 2030 e aumentar a participação do mercado externo de 5% para 25% no período.
Do total a ser investido, R$ 50 milhões serão aplicados na reforma das parreiras que não estão mais no auge produtivo. “O ativo biológico perde produtividade, então é preciso reformar a área constantemente”, explica Tavares. Cerca de 200 hectares de uva serão reformados, o que pode incrementar em até 20% a produção, estima a companhia.
Da outra parte dos investimentos, R$ 20 milhões serão destinados à ampliação da indústria, do processamento e do envase, já que a companhia prevê aumento da produção de suco.
Já os R$ 30 milhões restantes serão aplicados em mecanização e tecnologias na fazenda. Segundo Tavares, toda a área é monitorada por drones, que coíbem e combatem a presença de pragas com sobrevoos e pulverizações localizadas. “Antes, esse processo era feito a olho nu. Agora, ao detectar coloração, umidade e temperatura, o sistema aciona o drone de pulverização automaticamente”, explica.
A Timbaúba também deve investir em um braço robótico para realizar a poda mecanizada dos parreirais. Além disso, Tavares afirma que, em um futuro próximo, a companhia pretende contar com “robôs humanoides” para executar o processo de poda.







