Após fortes altas em abril, os preços da carne bovina no mercado atacadista volta a apresentar queda, mesmo em um ambiente pautado por boa demanda. Segundo Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, a leitura inicial é que as cotações estavam bastante elevadas, afetando os níveis de consumo no mercado doméstico. Desta forma, o mercado forçou o recuo dos valores dos cortes com osso e dos desossados.
Nesta quinta-feira (7/5), segundo a Safras, o quarto traseiro foi precificado a R$ 27,50 por quilo, queda de R$ 0,50. Já o quarto dianteiro foi cotado a R$ 21,50 por quilo, baixa de R$ 1,50. O preço médio da ponta de agulha estava em R$ 20 o quilo, queda de R$ 1,00.
Em abril, a carcaça casada de boi atingiu o preço médio mais elevado da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), iniciada 2001. A comparação considera as cotações em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI). A média foi de R$ 25,23 por quilo no mês passado, com avanços de 3,74% frente à de março e de 9,95% no primeiro quadrimestre de 2026.
Segundo o Cepea, essa valorização se deve à elevação nos preços do dianteiro (que, em abril, registraram aumento de 5%, com média de R$ 22,55 o quilo) e nos da ponta de agulha (com avanço de 6,9%, e média à vista de R$ 21,12 o quilo). O traseiro apresentou alta mais moderada, de 3,8%.
Além disso, houve repasse da valorização do boi gordo para a carne que, de acordo com pesquisadores do Cepea, está associada principalmente à oferta limitada de animais prontos para abate e à demanda externa aquecida, cenário observado desde o início deste ano.
Para os próximos meses, segundo o Cepea, a evolução do mercado dependerá, sobretudo, do ritmo das exportações, da demanda internacional (especialmente chinesa), das condições de oferta de animais terminados e da reposição. Esses fatores devem nortear os preços e a relação de troca ao longo da entressafra, podendo sustentar patamares elevados, ainda que com ajustes pontuais no curto prazo.







