A inflamação de baixo grau, também chamada de inflamação silenciosa, é um estado em que o organismo permanece em alerta constante, mesmo sem sinais evidentes como dor ou febre. Diferente da inflamação aguda, que surge como resposta imediata a uma infecção ou lesão, esse tipo é mais sutil, prolongado e pode passar despercebido por anos, afetando o funcionamento do corpo aos poucos.
Segundo o nutricionista Guilherme Lopes, do Hospital Mantevida, no Distrito Federal, a inflamação de baixo grau está mais ligada ao conjunto da dieta do que a alimentos isolados. Padrões ricos em ultraprocessados, como açúcares refinados, frituras, gorduras trans e carnes processadas, favorecem alterações no organismo.
“Esse tipo de alimentação contribui para resistência à insulina, aumento do tecido adiposo e desequilíbrios na microbiota intestinal, estimulando substâncias inflamatórias”, explica.
Apesar disso, o especialista alerta para um erro comum: extrapolar o conceito. A inflamação não surge de forma imediata por um único alimento, mas sim da combinação de dieta ruim com fatores como estresse, sedentarismo e sono inadequado.
Sinais no corpo que merecem atenção
Os sintomas da inflamação costumam ser sutis, o que faz muita gente ignorá-los. Entre os principais sinais estão:
- Cansaço persistente;
- Inchaço frequente;
- Acne;
- Dores articulares leves;
- Alterações intestinais.
De acordo com o coloproctologista Danilo Munhóz, da clínica Primazo, em Brasília, o intestino costuma dar os primeiros alertas. “Distensão abdominal, gases, desconforto e mudanças no hábito intestinal indicam que o corpo pode não estar reagindo bem à alimentação”, afirma.
Nem todo sintoma significa inflamação, e esse é um dos maiores erros atuais. Sintomas leves, como gases e estufamento, podem estar ligados a situações comuns do dia a dia, como exageros alimentares ou estresse. Já quadros mais sérios tendem a ser persistentes e incluem sinais como diarreia frequente, perda de peso ou presença de sangue nas fezes.
Munhóz reforça: “Rotular qualquer desconforto como inflamação pode gerar ansiedade e até restrições alimentares desnecessárias.”
Mudanças na dieta e melhora do quadro
A inflamação associada à alimentação pode ser revertida, principalmente em quadros leves. Segundo Lopes, ajustes simples, como aumentar o consumo de fibras, incluir antioxidantes na dieta e reduzir ultraprocessados, fazem diferença.
Ainda assim, quando os sintomas são frequentes ou persistentes, o ideal não é tentar resolver sozinho, mas buscar avaliação profissional para evitar diagnósticos errados e problemas maiores.







