As hortaliças acompanhadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentaram elevação generalizada de preços em março, segundo dados do Boletim Hortigranjeiro, divulgado nesta sexta-feira (24/4), que acompanha a oferta e demanda das principais Ceasas do país. Entre as frutas, o movimento é misto, motivado pelos diferentes momentos de oferta dos produtos.
Após um período de relativa estabilidade desde agosto de 2025, com pequenas oscilações em ambos os sentidos, os preços da cenoura apresentaram elevação média de 59,9% em março nas Ceasas analisadas. O baixo ritmo de colheita, em função das chuvas nas regiões produtoras, o que resultou nas sucessivas altas de preços.
A cebola teve a segunda maior valorização entre as hortaliças, em 52,1%. Os envios vindos de Santa Catarina, maior produtor do país, apresentaram queda de 41,7% no mês, indicando o encerramento praticamente completo da safra 2025/26.
O tomate também teve forte alta nas Ceasas acompanhadas pelo Conab, a média para março foi de 38,8%. Os preços vêm subindo desde dezembro de 2025 e refletem a menor oferta efetiva no mercado.
Além disso, a desaceleração da safra de verão de tomate, aliada ao início ainda incipiente da safra de inverno, contribui para a redução da disponibilidade do produto, enquanto a demanda segue pressionando os preços para cima.
A batata apresentou alta pelo segundo mês consecutivo, de 18,9% em março. As chuvas nas regiões produtoras, especialmente da Bahia, influenciaram a oferta de batata ao longo de março, porém de forma pontual.
O alface, hortaliça mais comercializada, teve sua alta desacelerada nas Ceasas, com valorização de média de 4,9%. A demanda manteve-se elevada ao longo de março, impulsionada pelo calor e a ocorrência de chuvas frequentes, que dificultaram a colheita e provoca perdas no campo.
Frutas
Entre as frutas, a maior valorização foi na melancia, de 10,81%. A safra gaúcha foi finalizada e, apesar de a maior parte das melancias apresentarem qualidade, os custos para o produtor foram mais elevados, com destaque para os fertilizantes, logística e, preponderantemente, as pulverizações para combater doenças fúngicas. A queda do fornecimento de frutas às Ceasas, em relação a fevereiro, foi de 60%.
O preço da banana também subiu em março, em 10,5%. A comercialização da banana nanica esteve estagnada ou diminuiu em diversas localidades, fruto da menor quantidade produzida tanto em regiões mineiras, baianas e capixabas, mas, principalmente, na microrregião de Registro (SP) e no norte catarinense, regiões produtoras importantes.
Entre as baixas nas frutas, a maçã representou a menor retração média, de 8,89%. A colheita expressiva no mês impactou nos preços de forma mais intensa, fazendo produtores exportarem diversas frutas maiores e mais vistosas na primeira quinzena do mês.
A laranja teve baixa de 2%, com o fornecimento de frutas aos entrepostos atacadistas no cinturão citrícola crescendo 2,84%. Para os meses de abril e maio, projeta-se uma redução gradual da oferta, acompanhada por leve elevação dos preços, uma vez que a disponibilidade tende a diminuir a partir de abril e se estabilizar até o início da próxima safra.
Já o preço do mamão recuou 1,8%, motivado pelo aumento na oferta da Bahia e do Espírito Santo.





