O Salão Nobre do Colégio Estadual Batista Professora Beatriz Rodrigues da Silva, em Tocantínia, foi palco de uma noite memorável da cultura, da literatura e de valorização da diversidade cultural durante o Lual Poético da EJA, realizado no último dia 10 de junho, às 19 horas.
O evento marcou a culminância do Projeto Integrador Poetas Lar no Sertão, desenvolvido ao longo do primeiro semestre de 2026 com os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Exposição literária
Sob a orientação do professor de Artes e Projeto Integrador, o poeta e escritor André Goveia, os alunos mergulharam no universo dos Povos e Comunidades Tradicionais, realizando pesquisas, estudos e produções poéticas inspiradas na história, cultura e identidade desses grupos.
O resultado foi apresentado ao público por meio de uma expressiva exposição literária composta por cartazes, banners, faixas, murais poéticos e um dos destaques da noite: um livro cenográfico gigante, que reuniu diversas poesias produzidas pelos estudantes.
A programação teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro, seguida de um momento de oração conduzido pela coordenadora da Área de Linguagens, Rita Monteiro, que convidou os presentes à reflexão e à gratidão pela oportunidade de celebrar a arte e o conhecimento.
Transformando vidas
Em sua fala, o diretor da unidade escolar, Antônio Sidney Rosendo destacou a relevância do projeto para a formação dos estudantes.
“Ver nossos alunos produzindo, declamando e compartilhando suas próprias poesias é a prova de que a educação transforma vidas. Este evento demonstra o compromisso da escola com a leitura, a escrita e a valorização da cultura.
Parabenizo o professor André Goveia, a Área de Linguagens e todos os estudantes por essa belíssima iniciativa que certamente gerou grandes aprendizados”, afirmou.
A coordenadora Rita Monteiro ressaltou o papel da literatura na formação humana e acadêmica dos estudantes.
Aproximação da leitura
“O Lual Poético nasceu do desejo de aproximar nossos alunos da leitura e da escrita de forma prazerosa e significativa. A literatura amplia horizontes, fortalece identidades e desperta sensibilidades. Hoje celebramos não apenas poesias, mas também histórias de vida e descobertas”, destacou.
Recital poético
Um dos primeiros momentos artísticos da noite foi o recital “Você Conhece os Povos e Comunidades Tradicionais?”, apresentado pelas estudantes Karoline e Ana Paula, que emocionaram o público ao abordar, em versos, a importância desses povos para a formação cultural do Brasil.
A programação contou ainda com a participação especial da poetisa e professora Anny Karoline Ribeiro, que recitou poemas inspirados na temática do projeto.
“A poesia tem o poder de dar voz às memórias, às lutas e aos sonhos dos povos tradicionais.
Quando escrevemos sobre eles, também aprendemos a respeitar e valorizar suas histórias”, declarou a poetisa.
Fortalecendo o protagonismo indígena
Outro destaque foi o recital “Luar no Sertão”, no qual os estudantes apresentaram poesias inspiradas na lua, símbolo central do projeto e elemento presente no imaginário poético do sertão.
Um momento de grande representatividade ocorreu durante o recital dedicado aos povos Guajajara, Javaé, Apinajé e Krahô, quando alunos pertencentes a essas etnias tiveram suas poesias expostas e declamadas, fortalecendo o protagonismo indígena e o reconhecimento da diversidade cultural presente na escola.
Rica programação
A noite foi enriquecida ainda mais pela participação do professor Rafael Lisboa, que conduziu uma reflexão sobre os povos e comunidades tradicionais e o trabalho do Gruconto – Grupo de consciência negra do Tocantins com as comunidades quilombolas e interpretou as canções “Canto das Três Raças“, eternizada na voz de Clara Nunes, e “Negro Nagô”.
“A música e a poesia caminham juntas na missão de preservar memórias e promover o respeito às diferentes identidades que compõem o povo brasileiro”, ressaltou o professor.
Representando a força da poesia clássica, a professora e poetisa Valdirene Costa emocionou o público ao recitar o poema “Meus Oito Anos”, de Casimiro de Abreu.
“A poesia atravessa gerações porque fala diretamente ao coração humano. Ela nos conecta às nossas lembranças, aos nossos afetos e à nossa história”, comentou.
A escritora e poetisa Simone de Jesus também participou da programação, apresentando poemas da poetisa Mirtes Matias.
“A literatura é um encontro de vozes. Ao recitar os versos de Mirtes Matias, celebramos a permanência da arte e da sensibilidade humana através do tempo“, afirmou.
Durante o evento, o professor, poeta e escritor André Goveia recitou poesias produzidas pelos alunos e também textos de sua autoria. Em sua fala, destacou a inspiração que deu origem ao projeto e ao próprio Lual Poético.
“Esse evento Lual Poético da EJA do projeto Poetas Lar no Sertão é uma obra poética do que os alunos e professores vivem todos os meses quando da lua cheia que paira sobre o bosque do Colégio Batista, na entrada do prédio principal Isoltina Ferreira, onde estão as turmas de EJA.
A lua insere a todos num clima poético, inspirando professores, poetas e estudantes a embarcarem no encantado mundo da poesia, tornando o mundo um lugar melhor, um lugar de poesia.”
Educação humanizada
O encerramento foi marcado por um dos momentos mais emocionantes da noite.
Alunos, professores, convidados e comunidade reuniram-se para recitar em coro a poesia coletiva “Lual Poético da EJA”, celebrando a arte, a diversidade, a educação e a convivência entre diferentes culturas.
Mais do que uma culminância pedagógica, o Lual Poético da EJA consolidou-se como um espaço de valorização da leitura, da escrita e do protagonismo estudantil, reafirmando o compromisso do Colégio Estadual Batista Professora Beatriz Rodrigues da Silva com uma educação humanizada, inclusiva e transformadora, iluminada pela poesia e pela riqueza dos povos e comunidades tradicionais.
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