A safra brasileira de laranja 2025/26 entra na reta final, e, para 2026/27, o principal desafio deixa de ser a oferta e passa a ser a demanda, afirma o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Mesmo diante da expectativa de menor produção brasileira de fruta em 2026/27, as exportações de suco continuam limitadas, especialmente para a Europa, indicando uma recuperação ainda lenta do consumo global. De julho de 2025 a maio de 2026, o Brasil exportou 749,1 mil toneladas de suco em equivalente concentrado, volume apenas 2,8% superior ao da temporada anterior, segundo dados da ferramenta ComexStat.
Pesquisadores do Cepea destacam que o crescimento modesto dos embarques contrasta com a forte retração de 27,6% da receita cambial, resultado que reflete a expressiva queda de quase 30% dos preços internacionais ao longo da safra.
Os EUA ampliaram sua importância para o setor brasileiro e se consolidaram como principal suporte das exportações. A participação americana na receita total das vendas externas da safra 2025/26 passou de 39% para 44%, enquanto a fatia da União Europeia caiu de 51% para 47%.
Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento evidencia a dificuldade de recuperação da demanda europeia, historicamente o principal destino do suco brasileiro. Além da questão da demanda, o mercado passou a acompanhar com atenção as recentes discussões tarifárias nos Estados Unidos.
Para a safra 2026/27, o Cepea afirma que o mercado internacional dependerá não apenas da recuperação da demanda europeia e norte-americana, mas também da definição do ambiente regulatório e tarifário dos Estados Unidos, que ganhou relevância estratégica para o setor ao longo desta safra.







