Representantes da indústria de carnes, de pecuaristas e do Ministério da Agricultura se reúnem nesta quarta-feira (8/7) na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, para tentar alinhar uma solução sobre o uso de antimicrobianos no país. A União Europeia exige que as exportações para lá sejam livres desses produtos e vai bloquear a entrada de proteínas e derivados brasileiros a partir de setembro se não houver comprovação técnica, com impacto anual de até US$ 1,8 bilhão.
O tema tem gerado divergências na cadeia pecuária nos últimos meses. A indústria pediu ao governo a proibição do uso de antimicrobianos no país como resposta aos europeus e garantia de não uso no país para evitar um fechamento do mercado, mas os criadores são contra. Ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura determinou, desde a semana passada, o controle de ciclo completo da vida dos animais e a segregação daqueles que serão abatidos com destino à Europa. A senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS) intermediou o encontro para “colocar todo mundo na mesma página”.
Nessa terça-feira (7/7), o ministro da Agricultura, André de Paula, encaminhou respostas a um requerimento de informações do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) sobre a eventual exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para a UE a partir de 3 de setembro e as providências que foram adotadas pela Pasta desde 2022 para adequação da cadeia pecuária brasileira às exigências europeias.
O ministério responsabilizou, em parte, o setor privado pela falta de uma solução prévia que evitasse o veto europeu. “Alguns dos antimicrobianos proibidos pela União Europeia encontram-se regularmente registrados no Brasil para uso na bovinocultura, na avicultura de corte e postura e na suinocultura, apresentando finalidade veterinária relevante para os sistemas de produção pecuária. Sendo assim, as providências necessárias para viabilizar a exportação dependem, em grande medida, do desenvolvimento e da implementação, pelo setor produtivo, de sistemas de controle privados capazes de garantir a segregação da produção em conformidade com os requisitos da União Europeia”, escreveu a Pasta.
A documentação relata troca de e-mails e a realização de reuniões desde 2023 entre o ministério e entidades dos segmentos envolvidos e potencialmente impactados. Foram ao menos 32 tratativas desde então. “Os setores produtivos foram alertados de que os sistemas de controle necessários ao cumprimento dos requisitos da União Europeia possuem natureza privada, já que não havia perspectiva de proibição de uso no Brasil dos antimicrobianos vedados pela UE”, informou a Pasta.
Alinhamento
A intenção da reunião desta quarta-feira, segundo fontes, é nivelar as conversas e definir qual estratégia será adotada pelo Brasil para não fragilizar a imagem do país lá fora, não gerar questionamentos à credibilidade da fiscalização sanitária nacional nem gerar implicações comerciais relevantes.
Uma avaliação que será feita é sobre um apoio uniforme à estratégia de segregação ou ao banimento dos antimicrobianos.
A CNA já se posicionou contra a proibição dos produtos. Um alerta feito pelos pecuaristas é que isso pode gerar implicações no boi China. Isso porque um dos produtos que a indústria quer banir, a monensina, é usada como melhorador de desempenho e eficiência alimentar, que ajuda o gado a atingir peso mais jovem. O animal abatido para envio de carnes aos chineses deve ter, no máximo, 30 meses.
Argentina e Uruguai já baniram o uso de antimicrobianos, mas nesses países os laboratórios passaram a oferecer produtos alternativos aos pecuaristas. No Brasil, não há substitutos viáveis, dizem fontes.
Ao mesmo tempo, as raças criadas por pecuaristas argentinos e uruguaios são europeias e mais precoces. Já no Brasil, prevalece a criação de zebuínos, que não atingem o ponto de abate tão rapidamente sem o uso de indutores como a monensina, que não é um hormônio.







