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Novo mosquito urbano ameaça expandir casos de malária no Brasil

CNN por CNN
10/09/2025
em Brasil
Tempo de leitura: 4 minutos
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Anopheles stephensi, novo mosquito • Portal Biologia/Agência Brasil/Divulgação

Anopheles stephensi, novo mosquito • Portal Biologia/Agência Brasil/Divulgação

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Pesquisadores da USP alertam para o risco de introdução no Brasil do Anopheles stephensi, mosquito originário da Ásia e que já se espalhou pela África e pode se tornar um novo vetor da malária no país. Diferente do Anopheles darlingi, transmissor predominante em áreas florestais, essa espécie se reproduz facilmente em ambientes urbanos, aproveitando água parada em pneus, caixas-d’água e outros recipientes, de forma semelhante ao Aedes aegypti.

Essa característica aumenta a ameaça de urbanização da malária, que hoje se concentra sobretudo na Amazônia. Estudo conduzido na Faculdade de Saúde Pública (FSP) e no Instituto de Estudos Avançados (IEA), ambos da USP, avalia que as condições brasileiras são similares àquelas encontradas onde o mosquito asiático já é encontrado (Future global distribution and climatic suitability of Anopheles stephensi, Scientific Reports, julho 2025).

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O estudo aponta que a chegada do mosquito pode ocorrer por navios nos portos brasileiros. Os especialistas alertam que ainda não existem ações estruturadas específicas de vigilância para esse vetor no Brasil, ampliando o risco de sua entrada silenciosa.

A recomendação imediata é reforçar os cuidados já adotados contra o Aedes aegypti, como eliminar água parada, além de fortalecer campanhas de conscientização para evitar que o novo mosquito se estabeleça e provoque a expansão da malária para áreas urbanas densamente povoadas.

Mosquitos Aedes aegypti no laboratório, em São Paulo • Paulo Whitaker/Reuters
Mosquitos Aedes aegypti no laboratório, em São Paulo • Paulo Whitaker/Reuters

Uma bactéria pode ser a solução

A luta contra a dengue — e também contra a malária disseminada pelo mosquito asiático — pode ter um aliado inusitado: o próprio mosquito. Pesquisadores brasileiros, em parceria com o programa global World Mosquito Program, estão aplicando no país uma estratégia baseada na introdução da bactéria Wolbachia no Aedes aegypti. Presente naturalmente em várias espécies de insetos, mas ausente nesse vetor, a Wolbachia reduz a capacidade do mosquito de transmitir vírus causadores da dengue, zika, chikungunya e febre-amarela. Em outras palavras, o mosquito continua existindo, mas deixa de ser um inimigo tão perigoso.

Outra boa notícia é que há estudos que demonstram que Anopheles stephensi (o mosquito asiático) também pode ter sua ação como vetor da malária reduzida com o uso da Wolbachia. Ainda está sendo avaliado o potencial de uso dessa bactéria no Anopheles darlingi, mosquito predominante na disseminação da malária no Brasil.

A criação dos “mosquitos do bem” para combate da dengue, zika, chikungunya e febre-amarela já ocorre no Instituto de Biologia Molecular do Paraná, em parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz e o Governo do Estado do Paraná. O método já é aplicado em algumas cidades brasileiras. Rio de Janeiro, Niterói e Belo Horizonte já apresentaram queda expressiva nos casos de dengue em áreas onde a Wolbachia foi estabelecida de forma estável na população local de mosquitos.

A vantagem desse método é que ele se mantém por gerações: uma vez introduzida, a bactéria passa a ser transmitida naturalmente, sem a necessidade de reposições constantes. Trata-se, portanto, de uma solução sustentável e de longo prazo, diferente de métodos convencionais que dependem de inseticidas ou ações repetidas de controle.

Participação comunitária

Mas não basta a ciência. É preciso também confiança da população. A liberação de mosquitos em bairros urbanos exige diálogo e participação social. Equipes de saúde e pesquisadores realizam reuniões comunitárias, campanhas educativas e visitas porta a porta para esclarecer dúvidas e conquistar apoio. Essa aproximação tem sido fundamental para dissipar desconfianças e mostrar que o método não traz riscos à saúde ou ao meio ambiente.

Não é um método que apresenta resultados imediatos. Há o tempo necessário para que a Wolbachia se torne predominante na população de mosquitos e a influência de fatores ambientais na estabilidade da bactéria. Além disso, o método não substitui medidas já conhecidas como o saneamento básico, a eliminação de criadouros e a conscientização da população. Ao transformar o vetor em aliado, o uso da Wolbachia abre caminho para reduzir de forma consistente a transmissão das arboviroses que tanto pressionam o sistema de saúde brasileiro.

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