Um tipo pouco conhecido de colesterol pode estar silenciosamente elevando o risco de doenças cardíacas em milhões de pessoas. A lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), afeta cerca de uma em cada cinco pessoas e, na maioria dos casos, passa despercebida por não causar sintomas.
De acordo com uma análise com mais de 20 mil pacientes, baseada em estudos dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, traz novos dados sobre o problema.
Os resultados foram apresentados em 2026, em eventos científicos internacionais de cardiologia, e mostram que níveis elevados dessa partícula estão ligados a um risco maior de complicações cardiovasculares, mesmo entre pessoas que já fazem tratamento.
A Lp(a) é semelhante ao colesterol LDL, frequentemente chamado de colesterol ruim, mas possui uma proteína adicional que a torna ainda mais agressiva ao sistema cardiovascular. Como seus níveis são, em geral, determinados geneticamente, é possível que uma pessoa tenha taxas elevadas mesmo mantendo hábitos saudáveis e exames comuns dentro da normalidade.
Risco que persiste mesmo com tratamento
Os pesquisadores acompanharam adultos com 40 anos ou mais e analisaram eventos como infarto, AVC e morte por causas cardíacas ao longo de quase quatro anos. No total, 7,3% dos participantes tiveram algum desses quadros.
Entre aqueles com níveis mais altos de Lp(a), o risco foi significativamente maior, especialmente para acidente vascular cerebral (AVC) e morte cardiovascular. A associação foi ainda mais forte em pessoas que já tinham doença cardíaca.
“Pela primeira vez, conseguimos identificar um nível específico de Lp(a) associado a um risco significativamente maior de eventos graves”, afirmou o cardiologista Subhash Banerjee, um dos autores da análise, em comunicado.
Os dados chamam atenção porque mostram que o risco não desaparece mesmo quando o paciente já está em tratamento padrão para controlar o colesterol tradicional.
Exame simples pode revelar o problema
Apesar da gravidade, a Lp(a) ainda não faz parte da rotina de muitos exames. Segundo os especialistas, um teste de sangue simples é suficiente para identificar níveis elevados.
A detecção pode fazer diferença no acompanhamento. Pessoas com Lp(a) alta podem precisar de um controle mais rigoroso de outros fatores de risco, como colesterol LDL, pressão arterial e diabetes.
“Mesmo sem sintomas, é importante investigar. Se os níveis estiverem elevados, o paciente deve trabalhar junto com o médico para reduzir ao máximo os riscos”, orienta Banerjee.
Os pesquisadores destacam que novas terapias voltadas especificamente para a Lp(a) estão em desenvolvimento, o que pode aumentar as opções de tratamento no futuro.







