A detecção de dois surtos de febre aftosa na China pode favorecer uma eventual flexibilização nas salvaguardas aplicadas à importação de carne bovina por Pequim. A avaliação é de Lygia Pimentel, CEO da consultoria Agrifatto.
Segundo ela, a tomada de decisão não deve ocorrer imediatamente e ainda vai depender do impacto da doença no rebanho chinês e a extensão dos focos do vírus.
“Com certeza isso [a detecção dos focos] coloca no radar uma possível flexibilização das medidas de salvaguardas, mas acho que não vai acontecer já, só mais para frente, quando chegarmos mais perto de preencher a cota”, afirmou à reportagem. “É preciso avaliar até onde o surto vai. A febre é muito infecciosa, é difícil de controlar. Vamos ver o quanto isso vai se estender”, completou.
Pimentel avaliou, no entanto, que o episódio é um “sinal verde” para as exportações de carne bovina do Brasil para lá. “Favorece nossos volumes”, concluiu.
Os casos ainda não constam no sistema da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O surto de febre aftosa na China mais recente relatado foi em outubro de 2025, com dez bovinos infectados e 120 animais abatidos e descartados. O caso foi considerado encerrado em dezembro.
O Brasil tem uma cota de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Entre janeiro e fevereiro, já entraram mais de 370 mil toneladas da proteína nos portos chineses, mais de 33% do total.
A China aplicou uma cota geral, para os diversos fornecedores, de 2,6 milhões de toneladas neste ano. Mais de 23,3% foram preenchidos até fevereiro, com a importação de 627,8 mil toneladas, segundo o Ministério do Comércio chinês (Mofcom, na sigla em inglês).
Lideranças do setor frigorífico avaliaram, sob reserva, que a confirmação da doença vai pressionar a China a reavaliar suas cotas, já que produção interna pode ser afetada. Os chineses são o principal comprador de carne bovina brasileira.
Suínos
Há um alerta ainda sobre possíveis impactos na suinocultura local e no abastecimento de carne suína. O país é o maior produtor e maior consumidor mundial da proteína.
A febre aftosa afeta animais do “casco partido”, como bovinos e suínos. Não há relatos de focos na suinocultura. A produção de suínos superou 59 milhões de toneladas de carne em 2025, com abate de mais de 719 milhões de animais.






