A demora do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), em definir o candidato à sucessão tem levado a um racha dentro do grupo político que comanda o estado. Aliados do paranaense têm alertado que há um risco de ruptura entre as forças que sustentam a gestão Ratinho.
Pré-candidato à Presidência, Ratinho Júnior planeja lançar um nome do PSD como candidato ao Palácio Iguaçu. Três nomes disputam a indicação: os secretários Guto Silva (Cidades) e Rafael Greca (Desenvolvimento Sustentável), e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi.
O anúncio já foi adiado sucessivas vezes pelo governador. Aliados esperavam que ele definisse o nome depois do Carnaval. Recentemente, em conversas com correligionários, indicou que ocorreria até o final de março. Em fevereiro, ao Metrópoles, ele havia afirmado que o martelo seria batido em abril.
Aliados de Ratinho afirmam que, apesar do vaivém, ele já tem um escolhido: Guto Silva. Segundo políticos do núcleo duro do governador, a demora no anúncio tem uma razão: o paranaense tenta há dois anos consolidar Guto como sucessor, mas o secretário não decola nas pesquisas e é rejeitado em diferentes alas da política local.
Nas últimas semanas, os outros dois cotados por Ratinho Júnior para a sucessão comunicaram ao governador que podem romper com o paranaense se Guto Silva for confirmado como candidato.
Aliados de Ratinho apontam que a operação pode levar à saída de Alexandre Curi e Rafael Greca e a uma debandada de prefeitos e deputados do PSD. O núcleo duro do governador também teme que a possível decisão beneficie a candidatura de Sergio Moro (União) ao Palácio Iguaçu.
De acordo com aliados de Curi e Greca, os dois não concordam com a possível indicação de Guto Silva e não abrem mão de ter a chance de disputar o governo do Paraná.
Curi chegou a se reunir com Ratinho Júnior nessa segunda-feira (2/3). Segundo relatos obtidos pelo Metrópoles, o presidente da Assembleia Legislativa indicou que não tomará nenhuma decisão sem comunicar previamente o governador.
O parlamentar tem dito a pessoas próximas que não vai aguardar até abril para “ouvir de Ratinho que não será candidato”. Ele pretende utilizar a janela partidária, período entre março e abril no qual deputados podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato.
Alexandre Curi tem mantido conversas com o Republicanos e tem avaliado se lançar candidato pela sigla, caso Ratinho confirme a escolha de Guto Silva. Movimento semelhante é ensaiado por Rafael Greca, que negocia ida ao PP para viabilizar pré-candidatura.
Segundo relatos obtidos pelo Metrópoles, Curi e Greca afirmaram a Ratinho que o governador não pode “tomar a decisão do futuro do Paraná dentro de um gabinete”. Aliados dos dois afirmam que, em conversas recentes, o próprio governador tem evitado dizer quando tomará uma decisão.
“Ele está há dois anos tentando conseguir o candidato, mas o Guto não sobe nas pesquisas. O Ratinho não consegue dizer quando vai anunciar. Ele não tem data, ele não tem nada. No fundo, ele está tentando não dividir o grupo dele, mas está acontecendo o contrário”, disse um aliado próximo do paranaense sob reserva.
O entorno de Ratinho Júnior avalia que o governador está “encurralado” e que está assistindo ao grupo político dele se dividir enquanto uma candidatura sem viabilidade eleitoral é construída.
Aliados de Rafael Greca e Alexandre Curi têm afirmado que, se a saída dos dois for confirmada, deputados estaduais e prefeitos também devem deixar o PSD, esvaziando o grupo político de Ratinho Júnior.
“Ele quer segurar até o último minuto. O governador já disse que, se os dois saírem, vai ser muito ruim para ele”, afirma um parlamentar do PSD.
Pulverização de candidaturas versus Moro
O grupo de Ratinho teme que a confirmação da saída de Greca e Curi levem a uma pulverização de candidaturas do campo aliado do governador.
Curi e Greca têm, contudo, articulado um pacto de apoio mútuo. Os dois avaliam uma candidatura unificada para fazer frente a Guto Silva e Sergio Moro. No acordo, um dos dois poderia encabeçar a chapa — a decisão, segundo aliados dos dois, seria tomada com base no desempenho em pesquisas.
Defensores de Alexandre Curi e Rafael Greca argumentam que eles têm potencial de crescer junto ao eleitorado de centro-esquerda.
“Acho que é um cenário complicado. É impressionante como um governador que tem 70% de aprovação não consegue dizer quem é o candidato dele. O processo que ele está conduzindo está destruindo a base”, avalia um aliado.
Os aliados de Curi e Greca também apontam que a escolha de Guto Silva pode fortalecer a candidatura de Moro. Guto, segundo eles, tem potencial para “apanhar” e ser questionado sobre escândalos.
“Para ter entendimento, Ratinho teria que retirar o Guto Silva. Nós avaliamos que a condução do governador pode colocar no colo do Moro parte da classe política do Paraná”, aponta um político influente do estado.
O presidente do PSD no Paraná, Sandro Alex, declarou que a indicação do sucessor será uma decisão “absolutamente do governador”. Membros do grupo político de Ratinho Júnior defendem que o governador escolha o candidato com mais chance de crescer na disputa. Um nome forte, avaliam, ajudaria a impulsionar candidatos da coligação do escolhido para a sucessão.





