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Home Agricultura e Pecuária

Produtor perde 100% da lavoura de feijão com seca no Paraná

Também há relatos de queda na produtividade do milho devido à falta de chuva

por Globo Rural
02/05/2026
em Agricultura e Pecuária
Tempo de leitura: 4 minutos
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Lavoura de Airton Felipe Jula: segundo ele, pouco volume produzido não paga os custos com a colheita — Foto: Airton Jula/Arquivo pessoal

Lavoura de Airton Felipe Jula: segundo ele, pouco volume produzido não paga os custos com a colheita — Foto: Airton Jula/Arquivo pessoal

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“Não teremos colheita de feijão neste ano, as perdas foram de 100%”, relata o produtor Airton Felipe Jula, de Prudentópolis, no centro-sul do Paraná. A falta de chuva comprometeu o desenvolvimento do grão e as precipitações desta última semana chegaram tardiamente para a cultura.

Numa área plantada de 24 hectares, Jula conta que a expectativa inicial era colher 25 sacas por hectare, o que está dentro da média estadual. “Em 62 dias choveu 12 milímetros, e as chuvas retornaram somente agora. Não tem como recuperar”, lamenta.

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O produtor explica que o pouco volume produzido na lavoura não paga os custos com a colheita, o que o levou a suspender essa etapa. “O clima detonou com a planta. Teve apenas uma leve umidade na fase inicial e depois de 45 dias houve aquela pequena quantidade de chuva, o que não foi suficiente”, observa. Com o desânimo, ele diz que ainda nem fez as contas, mas já sabe que ficarão no negativo.

Esta será a segunda safra consecutiva de prejuízo na cultura. No ano passado, a causa da perda foi o ataque da mosca branca. “Fiz quatro aplicações de inseticidas e, como não teve jeito, desisti da lavoura”, recorda Jula.

Recuo no Estado

A queda na produção de feijão por causa da estiagem e, em alguns casos, agravada por doenças da cultura, foi confirmada na estimativa de safra divulgada na quinta-feira (30/4) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura do Paraná.

A lavoura da primeira safra foi revisada para 189 mil toneladas, 2 mil a menos do que os números de março apontavam e 44% menos que o volume colhido em 2025 no período (339,9 mil).

Já os dados da segunda safra, cuja colheita está em curso, apontam uma produção de 377 mil toneladas, volume 56 mil toneladas inferior ao estimado em abril e 30% inferior às 540 mil toneladas obtidas na segunda safra de 2025.

As condições das plantações se estabilizaram nesta última semana com a volta das chuvas, beneficiando lavouras que ainda não completaram a formação de grãos, “porém, para mais de um quarto da área do Estado essas chuvas chegaram tardiamente”, aponta o Deral.

Airton Jula também cultiva milho e ressalta que a estiagem deste ano deve causar prejuízo na cultura, com estimativa de quebra de 70% da produção. Ele acredita que deve colher entre 25 sacas a 30 sacas por hectare. “Fazemos investimentos em preparação de solo, tratores, adubos, herbicidas, mas é uma atividade a céu aberto, sem o clima ajudar fica complicado”, completa.

Sem seguro das duas culturas, o produtor espera recuperar os ganhos com a soja que será plantada a seguir na propriedade. “Estou acendendo vela para todos os santos”.

O produtor Agnaldo da Silva Leite, que cultiva 250 hectares de milho em áreas localizadas em Brasilândia do Sul e Alto Piquiri, na região noroeste, também projeta perdas, que podem chegar a aproximadamente 40%. “Causa um apavoramento andar pela plantação”, diz.

Ele comenta que faz um acompanhamento do índice pluviométrico das áreas e, há sete anos, vem registrando quedas na produção por problemas causados pela estiagem somada ao calor excessivo.

A chuva também chegou nos últimos dias, mas ele afirma que não há como recuperar o prejuízo, uma vez que a seca atingiu a fase de granação, deixando o milho apendoado. Segundo Leite, foram dois veranicos e mais de 20 dias seguidos sem precipitações no ciclo.

A medição feita por ele nas lavouras de milho indica que de 21 de janeiro a 21 de abril a chuva somou 220 milímetros. “Para ser produtor nessas condições, tem que ser um herói”, salienta.

Com a estimativa de perdas, ele espera colher 74,3 sacas por hectare ante as 128 sacas por hectare projetadas inicialmente. O volume também ficará abaixo da colheita do ciclo anterior do milho safrinha, quando a produtividade média atingida nas áreas foi de 94,6 sacas por hectare.

Além de adiantar o plantio para aproveitar a melhor janela, ele enumera investimentos feitos na área, como preparação de solo, curvas de nível (para épocas até então chuvosas), adubação e cobertura de solo para controle de nematoides. “Enquanto isso, o preço do milho está péssimo. São muitos os desafios, mas o agricultor tem que ter esperança”, diz.

Possível recuperação

Edmar Gervásio, administrador do Deral, pondera que as chuvas recentes têm grande potencial de recuperar plantações de milho que estavam sofrendo. “É agora que as lavouras estão no período mais crítico”, avalia. Segundo ele, em torno de 30% das áreas do Estado devem estar na fase de floração e em torno de 20% em frutificação.

O especialista pontua que há regiões que foram impactadas pelo déficit hídrico e altas temperaturas, mas acredita que não é possível falar em perdas relevantes na cultura neste momento. “Em algumas regiões, a produção ficará abaixo da expectativa. Mas, no nível macro, o cenário está melhor do que o ano anterior nesse mesmo período”.

A produção do milho segunda safra, conforme a estimativa do Deral, deve ficar em torno de 17,3 milhões de toneladas no Estado, queda de 1% em comparação às 17,5 milhões de toneladas da safra anterior.

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