As carpas Koi japonesas são peixes domesticados, apreciados pela cor, padrões, brilho e tamanho. O interesse crescente tanto daqueles que as criam em quintais quanto dos colecionadores que investem milhares de reais em grandes lagos ornamentais transformou o cultivo desses animais em um nicho promissor na piscicultura.
Aqueles que buscam pequenas carpas para lagos ornamentais caseiros, podem ficar tranquilos: há opções bem acessíveis para compras, com preços que começam em R$ 20 (as bem pequenas, com cerca até 10 cm) ou R$ 50 (médias, com tamanho entre 15cm e 25cm).
Mas um forte movimento de entusiastas e colecionadores que buscam aprimoramento das carpas Nishikigoi (variedade da espécie Cyprinus carpio), criando um nicho de mercado premium, cada vez mais valorizado.
O empresário Marco Antônio Xavier começou a criar Nishikigois profissionalmente durante a pandemia, quando estava isolado com a família em sua propriedade na cidade de Guapimirim (RJ). De lá pra cá, ele se transformou em referência no país no mercado de carpas premium. A mais cara já vendida por Xavier foi uma Tantyo (carpa inteiramente branca com um único círculo vermelho na testa), adquirida por um colecionador por R$ 45 mil.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afe5c125c3bb42f0b5ae633b58923923/internal_photos/bs/2026/5/Z/lkh7NVQMKbSLmAJgSTmA/marco-xavier-jardim-das-carpas-credito-arquivo-pessoal-02-1.jpeg)
Mas o que faz uma carpa ser mais valorizada do que outras? A Globo Rural conversou com especialistas para entender.
O que é preciso para uma carpa koi ser especial?
“Com relação à forma, é basicamente a simetria dentro do próprio corpo; as barbatanas todas presentes e com o mesmo tamanho. Os melhores peixes são esbeltos nos primeiros anos, e ganham comprimento até cerca de quatro anos. Os maiores podem chegar até 60 cm aqui no Brasil, cujo clima é favorável à espécie”, explica Rafa Caetano, especialista em cultura koi e fundador do Koikichi, um clube para hobistas dedicado ao desenvolvimento de Nishikigoi no Brasil.
O brilho e a qualidade da pela também são diferenciais. Em termos de cor, estampas bem definidas são mais valorizadas. A mais disputada é a Tantyo inteira branca com um círculo vermelho na testa, pois lembra a bandeira do Japão. As unidades chegam facilmente a valores entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, mas atingem até R$ 50 mil no Brasil.
Outras variedades bastante procuradas são a Sanke, de base branca com padrões vermelhos e manchas pretas de contornos bem definidos, e a Showa, de base preta com bases vermelhas e brancas.
Entretanto, o padrão genético que determina essas características não é conhecido ou não está tão definido como funciona, por exemplo, com cães, gatos ou bovinos. Na prática, significa que mesmo cruzando dois exemplares Tancho entre si, a probabilidade de se obter um peixe da mesma variedade é de apenas 20%.
Por essa razão, há o cruzamento entre as melhores matrizes, mas os milhares de alevinos vão sendo selecionados aos poucos, visualmente, pelos criadores, num trabalho minucioso, que requer bastante atenção.
Marco Antônio Xavier investiu em capacitação para estruturar seu negócio. Ele fez uma especialização na criação de carpas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e delineou o negócio como uma empresa. A criação começou com cerca de 500 carpas selecionadas, de olho no mercado premium.
“Começamos as vendas após quatro meses, e teve início a fase de identificação da demanda, quais eram mais procuradas, as mais raras, as mais caras. Fomos fazendo a seleção para que pudéssemos se referência no país”, diz.
Hoje, Xavier tem cerca de 80 matrizes de reprodução e um estoque estimado em 25 mil carpas prontas para venda. As menores são vendidas a distribuidores voltados para público de lagos de quintal. As maiores são adquiridas por colecionadores, sendo as mais raras comercializadas em leilões.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afe5c125c3bb42f0b5ae633b58923923/internal_photos/bs/2026/B/F/ueeAjdSLWahIzSooJfEw/marcos-gelsi-mundo-koi-credito-arquivo-pessoal-1.jpeg)
Já Marcos Gelsi, criador de Juquitiba (SP), começou a se interessar pelas carpas Nishikigoi ainda aos dez anos de idade, seguindo os passos do pai. Hoje, ele tem uma criação com cerca de 300 peixes fixos, oriundos de uma linhagem que ele mesmo foi construindo ao longo dos anos. A produção anual conta com até quatro cruzamentos, que produzem entre 80 mil e 150 mil alevinos.
“Um dos objetivos foi investir em carpas que ganhassem corpo e, por isso, fui fazendo cruzamento um pra um, um macho para uma fêmea, o que não é muito comum no setor, mas que está dando bastante resultado por aqui”, explica.
Gelsi conta que investiu em pesquisa especializada, inclusive contratando um profissional brasileiro radicado no Japão para testar o DNA dos animais e validar o caminho seguido até aqui e mostrar as novas direções a serem seguidas.
Nomeação das carpas segundo a coloração:
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afe5c125c3bb42f0b5ae633b58923923/internal_photos/bs/2026/k/C/L7OZfYR5yBE6HZzDoxJw/carpas-nishikigoi-arte.jpg)
- Platinum: cor sólida branca, um dos tipos de Ogon.
- Tantyo: qualquer carpa com um único círculo vermelho em sua testa. Há o Tantyo Kohaku, Tantyo Sanke, Tantyo Showa e outros mais.
- Kohaku: padrões vermelhos sobre base branca.
- Sanke: padrões vermelhos e pretos sobre base branca.
- Koromo: originada do cruzamento com um Asagui, apresenta segmentos de escamas azuis
- Hikarimoyomono: padrões coloridos sobre base metálica e uma carpa com duas cores metálicas.
- Asagui/Shusui: dorso azul e abdômen vermelho
- Kinguinrin – escamas cintilantes. Literalmente, escamas douradas prateadas.
- Yamabuki Hariwake: uma carpa platina com estampa amarela.
- Ogon: com uma única cor sólida, normal ou metálica, nas cores vermelha, laranja, platinada, amarela ou creme.
- Kawarimono: tipo miscelânea. Carpas pretas, amarelas, cor de chá e verdes.
- Karasugoi: preta, com uma tonalidade muito densa, somente a barriga apresenta coloração marrom escuro.
- Hi-Utsuri: carpa de fundo preto com estampas que variam do laranja ao vermelho caqui.
- Showa: padrões vermelhos e brancos sobre base preta.
- Shiro-Utsuri: preta com estampas brancas, difere da bekko por apresentar coloração preta na cabeça e na base das nadadeiras.
- Bekko: padrões pretos sobre base branca, vermelha ou amarela.







