A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê queda de 6,2% nas vendas internas de máquinas agrícolas em 2026, o que seria o quinto ano seguido de recuo. A projeção indica 46,7 mil unidades comercializadas até o fim do ano.
O executivo ainda cita as margens de lucro apertadas do produtor, em consequência de baixa nos preços das commodities e de custos em alta, como barreiras para o crescimento das vendas no setor.
Nesta quarta-feira (15/4), a Anfavea informou que as vendas internas de máquinas agrícolas caíram 3,6% em 2025, para 49,8 mil unidades. Segundo Calvet, a queda “drástica” de 22% na comercialização de colheitadeiras foi a principal responsável pelo recuo registrado pelo quarto ano consecutivo.
“É o destaque negativo, porque somos um país cuja safra foi muito boa, mas isso não se traduziu em compra de máquinas”.
Ainda segundo a Anfavea, as vendas de tratores de rodas recuaram 2,1%, de 47,5 mil em 2024, para 46,5 mil no ano passado.
Mercado externo
As exportações do setor apresentaram alta de 2,4% de 2024 para 2025, passando de 6,2 mil para 6,3 mil máquinas. Já as importações alcançaram recorde de 11 mil máquinas em 2025, 9,4% a mais do que as 9,4 mil unidades importadas em 2024.
A Índia, com 6 mil unidades, lidera o ranking de modelos estrangeiros, enquanto a China, com crescimento de 85,7%, representou 3,9 mil unidades importadas no ano passado.
Um estudo do Boston Consulting Group (BCG) encomendado pela Anfavea indica que os produtos chineses e indianos apresentam vantagens em relação aos nacionais em escala, preço do aço e mão de obra, o que reduz o custo de produção em até 27%.
“Isso nos coloca diante de um desafio urgente de apoio à produção nacional, sob pena de perdermos investimentos, empregos, conhecimento estratégico e arrecadação gerada pela indústria de máquinas autopropulsadas, justamente em um país reconhecido pela força do seu agronegócio e da construção civil”, afirma o presidente da Anfavea.







