O Samba Chula Filhos de Oyó, um dos principais grupos de cultura popular do Brasil, inicia sua turnê nacional pelo Tocantins, levando a essência do samba de roda e do samba chula, patrimônios imateriais da cultura brasileira. O projeto “Vivenciando Tradições com Mestre Plínio, Mestra Joseane e Samba Chula Filhos de Oyó” é uma realização da Funarte, através da Bolsa Funarte de Música Pixinguinha 2023 e promove um rico intercâmbio cultural por meio de apresentações musicais, oficinas e vivências ministradas pelos mestres Plínio Roberto e Joseane Batista, fundadores do grupo.
Samba Chula Filhos de Oyó: Raízes e Tradição
Nascido em Camaçari (BA), o Samba Chula Filhos de Oyó foi fundado em 2013 por Mestre Plínio (violeiro e cantador) e Mestra Joseane (sambadeira), discípulos do lendário Mestre João do Boi. Com 12 integrantes, o grupo mantém viva a tradição do samba chula, um gênero que surgiu nos canaviais do Recôncavo Baiano, misturando batuques africanos, violas portuguesas e cantos de lamento.
As apresentações seguem a tradição: os músicos sentam-se em círculo enquanto as sambadeiras permanecem de pé. A roda começa com os instrumentos – viola, pandeiro, atabaque e palmas de madeira –, dando o tom para os cantos e “relativos”, músicas inspiradas na agricultura e no cotidiano baiano. O cantador inicia a melodia e o grupo responde em coro, enquanto as sambadeiras entram na roda com passos miúdos, sapateados e a tradicional umbigada.
Mestra Joseane destaca a importância das sambadeiras no samba chula: “As sambadeiras são guardiãs do repertório musical, das cantigas, dos toques e dos gestos que compõem a roda. Muitas aprendem essas práticas desde cedo e as transmitem para as próximas gerações.”
Para ela, essa tradição reforça o protagonismo feminino dentro do samba chula: “Embora tenha sido historicamente associado aos homens, as sambadeiras sempre desempenharam um papel fundamental. Hoje, sua presença fortalece a importância da mulher na construção e perpetuação dessa cultura. Elas atuam como mediadoras entre os mais velhos e os mais novos, garantindo que o conhecimento seja passado de forma autêntica e respeitosa.”
A turnê do grupo passa por Tocantins e Minas Gerais, promovendo o samba chula e fortalecendo laços com mestres locais. Mestre Plínio reforça a relevância dessa circulação: “O samba chula ajuda a fortalecer a cultura popular brasileira ao promover a diversidade e incentivar políticas de preservação do patrimônio imaterial. Além disso, pode inspirar novas gerações a reconhecerem e se engajarem em expressões culturais de matriz afro-brasileira, garantindo sua continuidade.”
Ele também destaca a calorosa recepção do público e compartilha sua experiência no Tocantins: “É a segunda vez que visitaremos o estado, onde tivemos a oportunidade de oferecer oficinas de samba chula na academia Só Angola-TO, do Mestre Matoso. A aceitação foi incrível – conseguimos transmitir a mensagem, ensinar a forma de sambar, e todos ficaram maravilhados, e não esperamos nada menos nessa nossa próxima vinda.”
O Tocantins é o primeiro destino da turnê, com eventos em Porto Nacional e Palmas. O projeto conta com o apoio de parceiros locais, como Siá Produções Criativas, Só Angola TO, Tambores do Tocantins, Comsaúde e Circo Os Kaco.
Os mestres convidados Matoso (TO) e Vermelho (GO) se juntam ao grupo nas oficinas, enriquecendo ainda mais o intercâmbio entre as tradições do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Programação
Porto Nacional – 19/04 (sábado)
- Oficina Samba de Roda e Samba Chula (10h às 12h) – Vivenciando Tradições com Mestre Plínio, Mestra Joseane e Samba Chula Filhos de Oyó – Convidados: Mestre Matoso e Mestre Vermelho.
- Show com Samba Chula Filhos de Oyó (19h às 21h) – Vivenciando Tradições / show de abertura: Tambores do Tocantins
Local: Comsaúde (R. Cel. Pinheiro, 1785)
Palmas/Taquaruçu – 20/04 (domingo)
- Oficina Samba de Roda e Samba Chula (10h às 12h) – Vivenciando Tradições com Mestre Plínio, Mestra Joseane e Samba Chula Filhos de Oyó – Convidados: Mestre Matoso e Mestre Vermelho.
- Show com Samba Chula Filhos de Oyó (19h às 21h) – Vivenciando Tradições
Local: Circo Os Kaco (Av. Taquaruçu, 45)
Todas as atividades são gratuitas, classificação livre e abertas a todos os públicos, incluindo crianças, idosos, pessoas com deficiência e comunidades LGBTQIA+. O projeto celebra a diversidade e reforça a importância da preservação das culturas tradicionais.
Serviço:
- Produção: Samba Chula Filhos de Oyó
- Apoio local: Siá Produções Criativas, Só Angola TO, Tambores do Tocantins, Comsaúde e Circo Os Kaco
- Realização: Bolsa Funarte de Música Pixinguinha 2023