O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) define nesta semana o rumo da taxa básica de juros da economia, a Selic, em um ambiente marcado por forte incerteza externa.
A reunião, que começa nesta terça-feira (28/4) e se estende até quarta-feira (29/4), ocorre sob o impacto direto da intensificação da guerra no Oriente Médio e dos seus reflexos sobre os preços globais de energia.
Atualmente, a Selic está em 14,75%, após um longo período em que se manteve em 15%. O Copom iniciou o ciclo de flexibilização monetária em meio ao início dos conflitos geopolíticos no golfo pérsico.
“Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, expôs o último comunicado.
Espaço para corte de juros?
No entanto, mesmo com a alta da inflação, que chega a 4,14% no acumulado de 12 meses, mas ainda dentro da meta, o mercado financeiro vê espaços para a continuação do ciclo de corte nos juros.
Segundo a Warren Investimentos, o BC deve cortar os juros na próxima reunião, mas manterá uma postura mais “hawkish”, que no jargão econômico significa mais conservadora.
“O Copom deve voltar a enfatizar que discutiu se deveria seguir com a calibragem da taxa de juros, de forma semelhante ao observado na última ata, e, posteriormente, sob o argumento de cautela e serenidade, justificar o corte de 25 bps, passando a mensagem de um corte mais hawkish”, afirmou.
Além disso, segundo análises de economistas da Warren, o Copom deve reforçar o desconforto com a desancoragem das expectativas, com discurso conservador ao justificar que esse cenário exige da política monetária taxas restritivas por um período mais prolongado.
“Essa comunicação chancelaria a visão do mercado sobre o orçamento de cortes e uma taxa Selic mais próxima de 13% ao final do ano”, aponta.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação;
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país;
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país;
- Dessa forma, o crédito fica mais caro, e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores;
- Projeções mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.
Guerra pressiona inflação global
A principal preocupação no momento é o avanço do conflito entre Irã, EUA e Israel e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo. Desde o início da escalada mais recente, os preços do barril voltaram a subir, refletindo o risco de interrupções na oferta e maior instabilidade geopolítica.
Esse movimento tem impacto direto sobre a inflação brasileira. O petróleo mais caro encarece combustíveis, transporte e diversos insumos da cadeia produtiva, o que tende a contaminar os preços ao consumidor. Com isso, o cenário inflacionário, que antes mostrava sinais de alívio, voltou a exigir cautela por parte da autoridade monetária.
Com a inflação subindo, especialistas discutem qual vai ser o nível de redução de juros nas próximas reuniões. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% ao ano, com banda de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo, ou seja, o teto da meta é 4,5%.
Além da inflação, o ambiente externo mais turbulento tende a pressionar o câmbio, o que também pode impactar os preços internos. Esse conjunto de fatores leva o Copom a reavaliar o ritmo de eventuais cortes na taxa básica.
Diante desse cenário, a decisão do Copom ganha contornos mais complexos. O colegiado terá de equilibrar, de um lado, os sinais anteriores de desaceleração da inflação e, de outro, os novos riscos vindos do exterior.
Calendário do Copom
Reuniões em 2026:
- 27 e 28 de janeiro;
- 17 e 18 de março;
- 28 e 29 de abril;
- 16 e 17 de junho;
- 4 e 5 de agosto;
- 15 e 16 de setembro;
- 3 e 4 de novembro;
- 8 e 9 de dezembro.







