O mercado pecuário teve negociações abaixo das referências médias de preços em grande parte do país. Nesta quarta-feira (24/6), o indicador Cepea/Esalq do boi gordo, baseado nas praças do Estado de São Paulo, apresentou a cotação de R$ 340,50 a arroba, estabilidade na comparação com o dia anterior. No acumulado de junho, o preço recua 2,63%.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) comenta que o mercado do boi gordo segue pressionado, mesmo diante de um cenário internacional de estoques globais de carne bovina nos menores níveis desde 2006 e preços externos próximos das máximas históricas.
Parte desse movimento está relacionada à desaceleração das compras chinesas, uma vez que o Brasil já cumpriu cerca de 65% da cota de exportação destinada ao país asiático até maio, com expectativa de atingir o volume total já em julho, levando frigoríficos exportadores a reduzirem o ritmo de aquisição de animais.
A consultoria Safras & Mercado destaca que os frigoríficos seguem reorganizando a programação de acordo com a expectativa de esgotamento precoce das cotas brasileiras de exportação para a China. Diante disso, surge a necessidade de reduzir os abates. Alguns frigoríficos apontam até mesmo para férias coletivas neste período de maior incerteza quanto ao fluxo de exportação.
“A salvaguarda chinesa vem provocando instabilidade e muita volatilidade no mercado pecuário brasileiro”, afirma Fernando Iglesias, analista da Safras. Diante de preços pouco atrativos no mercado futuro a intenção de confinamento passa a apresentar recuos, com relatos de menor ocupação em vários confinamentos. “Essa situação pode promover altas consistentes durante o último trimestre”, comenta o especialista.
No campo, as condições climáticas típicas do inverno começam a reduzir o desenvolvimento das pastagens no Centro-Sul. Porém, o Cepea lembra que a oferta de gado segue relativamente confortável, já que muitos pecuaristas ainda mantêm animais terminados a pasto disponíveis para venda. Além disso, o atual momento do ciclo pecuário, ainda que influenciado pelo elevado abate de fêmeas nos últimos anos, mantém disponibilidade suficiente de bovinos, especialmente em regiões com maior participação de confinamento.
Na segunda quinzena de junho, o mercado físico apresenta baixa liquidez, com menor interesse tanto de compra quanto de venda e negociações mais lentas. Segundo o Cepea, as escalas de abate seguem entre quatro e 11 dias, enquanto no atacado paulista agentes do setor relatam dificuldade no escoamento da carne bovina, resultando em compras mais cautelosas por parte da indústria.
Já o mercado atacadista apresentou estabilidade em seus preços durante a quarta-feira, ainda com expectativa de recuperação dos preços nos próximos dias, informa a Safras. Além disso, a expectativa de consumo em junho permanece favorável em especial às vésperas dos jogos da Seleção Brasileira.







