O mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com tentativas de compra em níveis mais baixos, informa a consultoria Safras & Mercado. Mesmo em um ambiente de pressão, poucos negócios foram concretizados, e as cotações se dividiram entre a estabilidade e recuos nas principais praças pecuárias.
Das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 18 não tiveram alterações no preço do boi gordo nesta terça-feira (16/6), enquanto 14 registraram quedas nas cotações. Apenas em Alagoas os valores subiram.ado, o preço do boi gordo seguiu em R$ 350 a arroba para o pagamento a prazo. As cotações do “boi China”, da vaca e da novilha também não tiveram mudanças.
Segundo a Scot, no mercado paulista, com as altas ao longo da semana passada, os negócios fluíram bem. Vendedores entregavam seus lotes sem dificuldades, e os compradores que pagavam o que era pedido conseguiram compor e alongar as escalas. Contudo, no início da terceira semana do mês, o mercado esteve incerto.
As indústrias que estavam abastecidas estiveram ativas nas negociações, mas ofertando menos pelas boiadas. O movimento reflete uma oferta que atendia à demanda, mas sem excedentes. O setor apresenta receios em relação à cota de importação chinesa, que está perto de se completar. Além disso, as vendas de carne no mercado interno não se mostraram tão fortes quanto o esperado.
A aceitação da ponta vendedora seria determinante para o direcionamento do mercado. Apesar do frio, as chuvas mantiveram boa umidade no solo, sustentando condições favoráveis para as pastagens e permitindo aos vendedores cadenciar as ofertas. Frigoríficos com escalas mais curtas estavam ativos e pagavam as referências vigentes.
O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, destaca que as indústrias exportadoras que atendem o mercado chinês seguem revisando suas estratégias de aquisição de gado, visando o momento em que a China estará menos participativa do mercado com o esgotamento precoce das cotas de exportação.
No entanto, as exportações de carne para os Estados Unidos permanecem aquecidas, com grande necessidade de compra por parte dos norte-americanos em 2026. “Esse mercado tende a substituir a China como grande comprador brasileiro em meses em que não haverá cota”, afirma Iglesias.
Em relação ao mercado externo, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgou que, nos primeiros nove dias úteis de junho, o volume de carne bovina exportado foi de 129,7 mil toneladas, com média diária de 14,4 mil toneladas. Esse resultado representa um aumento de 19,6% em comparação ao embarcado por dia em junho de 2025.
A cotação média da tonelada ficou em US$ 6,6 mil, uma alta de 20,4% em comparação ao mesmo período de 2025.
Segundo a Scot, com a manutenção dos bons volumes embarcados e dos preços pagos pela tonelada da carne, junho de 2026 caminha para ser o melhor junho da série histórica em faturamento. Com menos da metade dos dias úteis transcorridos, junho de 2026 já alcançou 64,8% do faturamento total de junho do ano passado.







