O cenário de pragas sugadoras tem exigido uma mudança importante na forma como o manejo é conduzido no campo. Produtores e consultores do setor passaram a demandar estratégias combinando monitoramento, rotação de mecanismos de ação e tecnologias capazes de responder à intensificação das pragas e aos desafios de resistência.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) produtores de tomate, por exemplo, podem perder até 50% da produção da lavoura devido ao ataque de mosca-branca (Bemisia tabaci), que transmite viroses severas como Crinivírus e Geminivírus.
Traçando um paralelo, a citricultura também enfrenta o desafio de controlar o psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão do greening — doença que transformou profundamente a produção de laranja na Flórida, nos Estados Unidos. Há cerca de duas décadas, o estado colhia mais de 240 milhões de caixas de laranja. Hoje, após os impactos severos da doença, a produção despencou para cerca de 12 milhões de caixas, tornando-se um dos exemplos mais emblemáticos dos prejuízos causados pelo greening à citricultura mundial.
Com um olhar atento aos desafios do campo e outro voltado à inovação, empresas de soluções agrícolas têm intensificado os investimentos em tecnologias capazes de elevar a eficiência no controle de pragas e doenças. O objetivo é evitar que cenários já vividos em outras regiões produtoras do mundo se repitam na agricultura brasileira, preservando a produtividade, a competitividade e a sustentabilidade das lavouras.
Para Katty Corrente, líder de marketing do sistema produtivo de hortifrúti, cana-de-açúcar e café da BASF Soluções para Agricultura, esse movimento passa, acima de tudo, pela proximidade com o produtor e pela compreensão dos desafios reais do campo.
“O importante é entender quais são as dores do agricultor e como podemos desenvolver soluções que ajudem a proteger a produtividade hoje, mas também nas próximas safras. Investir em tecnologias para o controle desse tipo de praga significa proteger não apenas a lavoura, mas também a longevidade e a sustentabilidade do negócio no campo”, afirma.
Na BASF, o fortalecimento do portfólio para hortifrúti acompanha essa transformação e a visão de longo prazo para o setor, ampliando investimentos em inovação voltados às necessidades específicas de cultivos estratégicos, que impulsionam o Brasil no cenário de frutas e vegetais.
GREENING: PROBLEMA QUE EXIGE ESTRATÉGIA
Quando o assunto é citricultura, o setor segue para mais uma safra sob pressão. Segundo estimativa do Fundecitrus, a safra de laranja 2026/27 no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro deve atingir a marca de 255,20 milhões de caixas, volume que representa uma queda de 12,9% em relação à safra anterior.
Dentre os fatores citados no levantamento realizado, o clima aliado à possibilidade de ocorrência do El Niño no segundo semestre são relevantes porém, novamente, o greening aparece como fator destaque.
“Assistimos à queda da produtividade nos EUA, e contabilizamos quedas expressivas e que avançam de forma preocupante a cada safra por aqui. A tolerância a esse inseto precisa ser zero, e por isso a inovação precisa entrar em campo com agilidade”, reforça a executiva.
A necessidade de antecipar o controle também está relacionada ao manejo de resistência. Para Katty, o uso repetido de produtos com o mesmo modo de ação pode reduzir a eficácia das tecnologias a longo prazo. Por isso, a rotação de mecanismos de ação é apontada como uma das estratégias para garantir maior longevidade das soluções disponíveis.
A guinada de foco que colocou citros e hortifruti nos holofotes da companhia se refletiu, também, no ritmo de lançamentos. Depois de apresentar um novo fungicida para citros no ano passado – o Melyra® – a companhia chega a 2026 com um novo conceito de manejo contra o psilídeo, chamado Esquadrão Psilídeo.
Um manejo integrado composto por dois inseticidas: o Vinquo® e Efficon®, tecnologias que, de acordo com Katty, trazem novos modos de ação, reforçam a estratégia de rotação no combate ao psilídeo e respondem a uma demanda concreta do campo – administração sequencial que age em diferentes fases da praga, a fim de quebrar seu ciclo.
- Vinquo®: controla ninfas e adultos. Retarda o estabelecimento do psilídeo em brotos novos.
- Efficon®: sistêmico, acompanha o crescimento do broto. Protege o broto no período de maior atratividade da praga.
Efficon® conta ainda com o inédito Efeito Freeze, que consiste na paralisação da alimentação do inseto de forma imediata, o que, consequentemente, interrompe a transmissão de viroses.
“São dois produtos que vem para ajudar com o manejo de resistência e visando eficiência. O cenário exige estratégia, exige duas vezes mais controle e performance – por isso propomos o Esquadrão Psilídeo, com Vinquo® e Efficon®”, explica.
INOVAÇÃO PARA A TOMATICULTURA
Tripes e mosca-branca, antes classificados tecnicamente como pragas secundárias, voltaram a ocupar posição de destaque entre as principais preocupações da tomaticultura. Após anos de manejo insuficiente, esses insetos passaram a representar um desafio cada vez mais complexo, dentro e fora da porteira. Isso porque a mosca-branca está presente em diferentes culturas e pode se hospedar em lavouras geograficamente próximas ao tomateiro — como a soja, por exemplo — favorecendo a manutenção e disseminação das populações ao longo das safras.
Nesse cenário, estratégias de manejo preventivo tornam-se indispensáveis para reduzir a pressão dessas pragas e evitar perdas produtivas associadas às viroses por elas transmitidas, como crinivírus e geminivírus, que comprometem diretamente o desenvolvimento e a produtividade das plantas.
O inseticida Efficon® surge como um importante aliado também no cultivo do tomate, atuando no controle da mosca-branca e dos tripes, justamente no ponto em que o problema começa: a alimentação das pragas.
Uma das principais características das pragas sugadoras é a capacidade de transmitir ou adquirir viroses durante o processo de alimentação. É nesse comportamento que atua o chamado “Efeito Freeze” de Efficon®, interrompendo rapidamente a alimentação dos insetos e contribuindo diretamente para reduzir a transmissão de viroses nas lavouras.
Para Katty Corrente, o cenário atual demanda uma nova perspectiva sobre manejo.
“A intensificação das pragas sugadoras no hortifruti exige novas abordagens. Hoje, tecnologia e estratégia caminham juntas para garantir produtividade, sustentabilidade e maior proteção dos sistemas produtivos no campo”, finaliza.
Na visão da BASF, o avanço das pragas sugadoras reforça uma tendência cada vez mais clara no agro brasileiro: a produtividade das próximas safras estará diretamente ligada à capacidade do setor de antecipar desafios e adotar manejos mais inteligentes, preventivos e integrados.







