Em seu primeiro discurso como presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL) fez nesta sexta-feira (17/4) críticas diretas ao grupo político ligado ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD).
Ruas citou nominalmente os partidos PDT e PSD, que integram o bloco que boicotou a eleição para o comando da Casa. Segundo ele, essas siglas vêm atuando para gerar “instabilidade” no estado do Rio.
O deputado afirmou ainda que a oposição tem tentado, “a todo tempo, levar o debate que deve ser travado na arena política para o Judiciário”.
Ele mencionou ações apresentadas pelos partidos no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF), que questionaram tanto a eleição para a presidência da Alerj quanto a sucessão do ex-governador Cláudio Castro (PL).
Essas iniciativas resultaram na anulação da primeira eleição de Ruas, em março, pelo TJRJ, e na decisão do STF de manter o desembargador Ricardo Couto como governador interino.
Para Ruas, há um “claro desvio de finalidade” nessas ações. Ele também classificou como um “desrespeito” aos eleitores o boicote à sessão pelo grupo aliado a Paes.
Ao todo, 25 parlamentares não registraram presença nem votaram. Do plenário, o grupo entoou gritos em defesa de eleições diretas para o governo do estado. Também houve registro de vaias.
No discurso, Ruas afirmou que o “campo político oposto deu uma demonstração que verdadeiramente não conhece o que é democracia”.
“Que medo é esse de eleição? Não querem disputar eleição na Assembleia, não querem disputar eleições nas ruas. Nosso partido defende estabilidade. Nós defendemos que a população tenha o direito de ter um governador eleito”, disse.
“Hoje, essa Casa deu uma demonstração, e a história irá contar aqueles que trabalharam para buscar estabilidade institucional e devolver a normalidade para o estado e aqueles que, a todo custo, trabalharam para inviabilizar essa estabilidade”, acrescentou.
Após a fala, o líder do PL na Alerj, Filippe Poubel, defendeu que faltas não justificadas sejam punidas com desconto nos salários. Ruas afirmou que adotará as “devidas providências”.
Nova eleição
Em uma sessão esvaziada e boicotada pela oposição, a Alerj elegeu Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Casa. Sem adversários, Ruas foi eleito com 44 votos. Apenas um deputado registrou abstenção e não houve votos contrários.
A eleição de Ruas foi pavimentada, principalmente, pelos votos do PL, Republicanos e PP. As bancadas do União Brasil e MDB se dividiram. Do grupo que boicotou a sessão — liderado por PSD, PT, PSB, PCdoB e PDT — apenas Jari Oliveira (PSB) registrou voto e se absteve.
Douglas Ruas assume o cargo após a cassação de Rodrigo Bacellar, que ocupava a presidência e está preso sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho. Ex-secretário do governo Cláudio Castro (PL), ele também é pré-candidato ao Palácio Guanabara nas eleições de outubro.
Ruas já havia sido eleito para o comando da Alerj em março, mas a votação foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
A realização do pleito, porém, dividiu os deputados. Um bloco de partidos aliado ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) defendia adiar a escolha até o Supremo Tribunal Federal (STF) concluir o julgamento sobre a sucessão de Castro, que renunciou em março e abriu uma crise sucessória no estado.
Esse grupo chegou a articular uma candidatura alternativa, mas desistiu na quinta (16/4), após reunião entre dirigentes partidários. A principal aposta era tentar impor uma votação secreta — modelo sem identificação dos votos —, no qual esperavam atrair dissidências e derrotar o candidato apoiado do grupo governista.
A disputa também foi parar na Justiça. Na quinta, o TJRJ rejeitou um pedido do PDT para mudar o formato da votação. Já perto da meia-noite, o partido voltou a acionar o tribunal para tentar barrar a eleição desta sexta, mas o pedido não foi analisado.







