Nem todo paciente com tumor no fígado pode ser submetido à cirurgia logo após o diagnóstico. Quando a parte saudável do órgão é insuficiente para manter suas funções após a retirada da área comprometida, o risco de insuficiência hepática pode inviabilizar o procedimento.
Esse cenário acaba de mudar no Tocantins. A Rede Medical realizou, pela primeira vez no estado, a embolização dos ramos portais associada à derivação venosa hepática.
O procedimento estimula o crescimento da porção saudável do fígado antes da cirurgia, aumentando a segurança da operação e ampliando as possibilidades de um tratamento com intenção curativa para pacientes que antes não tinham indicação cirúrgica.
“Nosso objetivo é preparar o fígado para que a cirurgia seja realizada com mais segurança. Ao redirecionarmos o fluxo sanguíneo para a porção saudável do órgão, estimulamos seu crescimento e reduzimos significativamente o risco de insuficiência hepática no pós-operatório”, explica o radiologista intervencionista da Rede Medical, Fernando Gondo.
Preparando o caminho para a cirurgia
A técnica é indicada principalmente para pacientes que precisam retirar grande parte do lado direito do fígado em razão de tumores. Sem esse preparo, muitos deles não poderiam ser submetidos ao procedimento ou apresentariam um risco elevado de insuficiência hepática após a operação.
Realizada por meio de pequenas punções guiadas por ultrassom e raio X, a abordagem interrompe o fluxo sanguíneo da região que será removida e direciona a circulação para a porção saudável do órgão, estimulando seu crescimento antes da cirurgia.
“Em muitos casos, conseguimos tornar operável um paciente que, inicialmente, não reunia condições para ser submetido à cirurgia com segurança”, destaca Fernando Gondo.
Cerca de 20 dias após o procedimento, uma tomografia avalia se o volume hepático remanescente atingiu o tamanho necessário para manter as funções do organismo com segurança. Se o resultado for satisfatório, a equipe programa a cirurgia para retirada do tumor.
A recuperação costuma ser rápida. Em geral, o paciente permanece apenas uma noite internado, em leito de enfermaria, sem necessidade de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo alta no dia seguinte.
Mais segurança e acesso ao tratamento
Além de ampliar as possibilidades terapêuticas para pacientes com câncer de fígado, a chegada da técnica evita que muitos precisem buscar esse tipo de tratamento fora do Tocantins.
“A radiologia intervencionista amplia as possibilidades de tratamento por meio de técnicas minimamente invasivas e resultados comprovados pela literatura científica. Disponibilizar esse procedimento no Tocantins representa um avanço importante e oferece uma nova oportunidade para pacientes que antes tinham opções muito limitadas”, ressalta.
Segundo o especialista, cada caso deve ser discutido por uma equipe multidisciplinar, formada por radiologista intervencionista, cirurgião hepático e oncologista. A definição da estratégia terapêutica considera as características de cada paciente para oferecer a melhor alternativa de tratamento e ampliar as chances de sucesso.





