A mediana de projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de maio deste ano indica uma desaceleração do índice em relação a abril, que deve ficar em torno de 0,5%. O destaque é a expectativa de que os preços do grupo alimentação e bebidas continuem em patamar elevado, pressionando o índice para cima.
Os dados referentes à inflação de maio devem ser conhecidos a partir das 9h desta sexta-feira (12/6), por meio de divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O que é IPCA
- O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
- Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
- O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
- O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.
O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) projeta que a inflação medida pelo IPCA para maio foi de 0,60%, com impacto importante do grupo alimentação e bebidas, que teria tido elevação de 1,34%. Em abril, a variação deste grupo também foi de 1,34%.
A projeção do Banco Daycoval é que a inflação de maio foi de 0,52%, “com forte alta dos preços dos alimentos”, reforça a instituição financeira. O patamar de 0,52% também é previsto pelo economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano.
A expectativa da equipe econômica do BTG Pactual é ligeiramente mais modesta do que as dos dois outros bancos: 0,51%.
A se confirmarem qualquer uma das projeções acima, o resultado vai representar uma queda na inflação. Em abril, o índice ficou em 0,67% e teve como maiores pesos os grupos de alimentação e bebidas (1,34%) e saúde e cuidados pessoais (1,16%).
O IPCA-15 de maio, que analisa os preços da segunda quinzena de abril e da primeira de maio, já indicava uma retração. O índice ficou em 0,62%.
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Os alimentos têm sequência de alta desde que começou a guerra no Oriente Médio entre Irã, Israel e Estados Unidos. O pico foi registrado em março, primeiro mês do conflito iniciado em 28 de fevereiro deste ano.
A situação em relação aos alimentos pode se complicar ainda mais. A Agência Climática dos Estados Unidos (Noaa/CPC, na sigla em inglês) elevou as chances de um El Niño neste ano, o que implica em riscos inflacionários, sobretudo nos alimentos e na energia.
Projeções anuais estão em alta
Diante do cenário de elevação no preço dos combustíveis e outros itens por causa da guerra, as projeções anuais de inflação estão em alta. Os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) para a elaboração do Boletim Focus subiram a estimativa de inflação neste ano de 5,09% para 5,11% no relatório divulgado na última segunda-feira (8/6).
Nos últimos 12 meses até abril, conforme o IBGE, a inflação acumula alta de 4,39%, acima do centro da meta (3%), mas dentro do teto (4,5%). No ano, ou seja, no acumulado de janeiro a abril do IPCA, a elevação corresponde a 2,60%. Em 2025, a inflação fechou em 4,26%.
Em meados de maio, o Ministério da Fazenda subiu a projeção da inflação de 2026 de 3,7% para 4,5%, que é o teto da meta. A elevação na expectativa do índice de inflação é atribuída pela pasta à alta nos preços do petróleo no mercado internacional, decorrente da guerra no Oriente Médio.
A Fazenda considera que as medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta nos preços dos combustíveis, excluindo-se a última delas, referente à gasolina, resultam em uma redução na inflação em 0,3 ponto percentual.







