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Galípolo admite descumprimento e prevê atingir meta da inflação só em 2026

Banqueiro central apontou fatores como atividade aquecida, expectativas desancoradas e inércia inflacionária como principais causas

por CNN
11/07/2025
em Economia
Tempo de leitura: 3 minutos
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Gabriel Galípolo, presidente do BC • Roque de Sá/Agência Senado

Gabriel Galípolo, presidente do BC • Roque de Sá/Agência Senado

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Em carta enviada nesta quinta-feira (10) ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, admitiu o descumprimento da meta de inflação por seis meses consecutivos e projetou que o alvo só deve voltar ao intervalo de tolerância no fim do primeiro trimestre de 2026.

“O Banco Central espera que a taxa de inflação acumulada em doze meses […] retorne aos limites estabelecidos no intervalo de tolerância a partir do final do primeiro trimestre de 2026”, diz a comunicação.

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A meta de inflação fixada pelo CMN (Comitê Monetário Nacional) é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Ou seja, para considerar que o BC alcançou o alvo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) não pode ser menor de 2,5% ou maior de 4,5% num intervalo de seis meses.

Nesta quinta-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o IPCA acumulado em doze meses que atingiu 5,35% em junho, acima do teto fixado pelo CMN.

O banqueiro central apontou fatores como atividade aquecida, expectativas desancoradas e inércia inflacionária como principais causas do estouro da meta.

“A atividade econômica surpreendeu positivamente, com crescimento do PIB acima do esperado e mercado de trabalho bastante aquecido, refletindo aumento do consumo das famílias e do investimento. As expectativas de inflação se desancoraram, especialmente, ao longo do segundo semestre de 2024”, diz o texto.

Entre os componentes que mais pressionaram os preços, o BC destacou a alta da gasolina, serviços, alimentos industrializados e vestuário.

A valorização do dólar frente ao real também teve impacto, elevando o custo de bens importados. “A taxa de câmbio apresentou valorização do dólar frente ao real, com impacto direto nos preços de bens importados e nas expectativas de inflação”, pontuou o presidente do BC.

Desta forma, o cenário de inflação mais persistente levou o Copom (Comitê de Política Monetária) a iniciar um novo ciclo de aperto monetário em setembro do ano passado.

Desde então, a taxa básica de juros foi elevada em 4,5 pontos percentuais, alcançando 15% ao ano em junho.

O BC indicou que pode manter os juros em nível contracionista por um período prolongado e não descarta novas altas, caso considere necessário para garantir a convergência da inflação.

“O Comitê segue vigilante […] e não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, afirma o texto.

O BC também anunciou que publicará cartas adicionais caso a inflação não volte à meta no prazo projetado ou se as medidas exigirem revisão. Durante o período de descumprimento, Galípolo se comprometeu em manter atualizações trimestrais no Relatório de Política Monetária, detalhando os avanços e os efeitos das ações adotadas.

Galípolo reiterou o compromisso com a meta de inflação de 3% e com a transparência da política monetária.

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