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Estudo da Fiocruz mostra expansão do vírus oropouche no Nordeste

Levantamento da Fiocruz mostra mais de 2,8 mil casos entre 2024 e 2025 e indica circulação contínua do vírus oropouche fora da Amazônia

por Metrópoles
13/05/2026
em Saúde
Tempo de leitura: 4 minutos
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Coleção de Ceratopogonidae do IOC/Fiocruz

Coleção de Ceratopogonidae do IOC/Fiocruz

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Um vírus antes restrito principalmente à região amazônica passou a circular de forma contínua no Nordeste brasileiro. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou a expansão do vírus oropouche entre 2024 e 2025, com registro de 2.806 casos distribuídos em 170 municípios de oito estados.

A pesquisa foi publicada em 1° de abril na revista PLOS Neglected Tropical Diseases e aponta que a transmissão deixou de ser pontual para se estabelecer em diferentes áreas da região.

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Os dados mostram que a disseminação não ocorreu de maneira uniforme. Enquanto a maioria das cidades teve poucos registros, alguns municípios concentraram números mais elevados de casos, indicando focos mais intensos de transmissão.


Febre oropouche

  • A febre oropouche causa sintomas como febre alta, dor de cabeça e dores no corpo.
  • Pode ser confundida com dengue, zika e chikungunya.
  • Em situações mais raras, também há registros de complicações em gestantes, como abortos e partos prematuros.

Mudança no mapa da doença

Além do aumento de casos, os pesquisadores identificaram uma mudança no perfil geográfico da circulação do vírus. Em 2024, os registros estavam mais concentrados em áreas da Mata Atlântica. Já em 2025, a maior parte das ocorrências foi observada em regiões úmidas da Caatinga.

Para entender como o vírus se espalhou, a equipe combinou dados epidemiológicos com análises genéticas. Foram sequenciados 65 genomas do vírus a partir de amostras coletadas em Pernambuco, Paraíba e Sergipe. A análise mostrou que houve múltiplas introduções independentes do vírus na região ao longo de 2024.

“Esse estudo caracterizou o estabelecimento do vírus oropouche no Nordeste em múltiplos estados, algo que até então não tinha sido descrito de forma ampla”, afirma o pesquisador Gabriel Wallau, da Fiocruz Pernambuco, em comunicado.

Em Pernambuco, os cientistas identificaram duas linhagens diferentes do vírus. Uma delas apresentou maior capacidade de dispersão e foi associada à expansão para estados vizinhos, enquanto a outra permaneceu mais restrita.

O município de Jaqueira, na Zona da Mata Sul pernambucana, foi apontado como um dos principais pontos de disseminação regional. A partir dali, o vírus avançou para outras cidades e estados próximos.

Transmissão silenciosa e fatores ambientais

O estudo também identificou padrões ao longo do tempo. Em Pernambuco, o aumento de casos começou em abril de 2024 e atingiu o pico em junho, próximo ao fim do período chuvoso. Em outros estados, como Ceará e Alagoas, o crescimento ocorreu no segundo semestre, enquanto na Paraíba houve avanço no fim de 2024 e início de 2025.

Segundo os pesquisadores, a incidência da doença está relacionada a fatores ambientais, especialmente à chuva. Outro ponto importante é o tipo de vetor envolvido na transmissão.

Diferentemente de doenças como dengue e zika, o vírus oropouche não está ligado principalmente ao mosquito Aedes aegypti. A transmissão ocorre, em grande parte, por maruins, insetos mais comuns em áreas de mata e ambientes rurais.

“O padrão observado ajuda a explicar por que os maiores surtos ocorreram em municípios menores e com maior contato com áreas silvestres”, diz Wallau.

A análise também sugere que o vírus pode circular por semanas ou meses antes de ser identificado. Esse intervalo entre a introdução e o aumento dos casos indica uma transmissão silenciosa inicial.

Para os pesquisadores, o avanço do oropouche fora da Amazônia mostra que há condições favoráveis para novos surtos em outras regiões do país, aumentando o número de pessoas expostas.

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