O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quarta-feira (20/5) que os fundamentos de mercado para 2026 são positivos para as perspectivas do setor nacional, mas que o ambiente de negócios tem sido afetado por questões geopolíticas globais. Os resultados de vendas e faturamento das empresas neste ano vão depender diretamente da intensidade do impacto desses movimentos internacionais.
“Temos a boa notícia de que a demanda mundial por carne bovina tem crescido. Somos o maior produtor e o maior exportador mundial de carne bovina, então os fundamentos são bons para os negócios, mas temos muitas questões geopolíticas: guerras, tarifaço, imposição de cotas. Tudo isso atrapalha o fluxo comercial e gera algumas incertezas”, afirmou à reportagem.
Por enquanto, a perspectiva segue de estabilidade nos negócios em termos de volume e receita, mesmo sem a China, o principal cliente, durante boa parte do segundo semestre. Os frigoríficos brasileiros aceleraram as vendas, principalmente a partir de abril. A expectativa é que até meados de julho terão entrado no país mais de 1,1 milhão de toneladas do produto brasileiro, com o atingimento da cota anual.
“Mas a perspectiva é de estabilidade, com alguma pequena variação a depender da intensidade dessas medidas geopolíticas que estão sendo adotadas”, ponderou o executivo.
Entre os problemas a nível global, Perosa disse que apenas o tarifaço está “praticamente resolvido”, mas que as restrições de mercado, como o da China e da União Europeia, preocupam.
“A venda de carne bovina depende de mercados, se temos restrição de mercados, não conseguimos efetuar as vendas. A questão das cotas ainda não está resolvida, as restrições na União Europeia não estão resolvidas. São algumas informações que precisam ser entregues para termos ano relativamente bom”, apontou. “Ainda há muita coisa a acontecer nesse ano”, completou.
Novos mercados e produtos
Sem a China por ao menos quatro meses, entre julho e outubro por conta da “tarifa proibitiva” de 55% cobrada nas cargas negociadas fora da cota, Perosa ressaltou que é preciso fortalecer a abertura de mercado. A eventual retirada da tarifa de 26,4% dos Estados Unidos para a carne brasileira é vista também como “uma nova janela de oportunidade”, apesar de ressaltar que os americanos não vão comprar todo o volume que deixará de ser importado pelos chineses.
Ele apontou ainda a necessidade de insistir nas aberturas de mercado de Japão e Coreia do Sul. Os japoneses foram ao Brasil para auditoria no sistema sanitário dos Estados do Sul, e está pendente de resposta. Já os coreanos cancelaram a visita que fariam ao país neste ano.
Também há oportunidades com a retirada de restrições em mercados já abertos, como tarifas altas, e de incremento de novos produtos, como a venda de miúdos para a África do Sul. “É um importante hub para vender miúdos para toda a África”, comentou. A negociação para abertura do mercado de carne com osso e miúdos bovinos também poderia representar incrementos interessantes ao setor. O volume de miúdo, por exemplo, não está na cota. “É uma escapatória boa, com valor agregado. Pode ser uma via de saída para a China”, opinou Perosa.
A Abiec quer também o aumento do número de plantas habilitadas para o Vietnã, mercado aberto em 2025. “Tudo isso faz parte de contexto para que a gente dê volume para outros destinos e não fique tão focado na China”, refletiu Perosa.
No mercado interno, a avaliação é que as vendas vão bem, mas poderiam estar ainda melhores. “Se não tivesse endividamento e bets, estaria melhor o ambiente. Está aquecido o mercado interno, mas poderia ser válvula de escape muito maior, pela limitação de compra das pessoas também”,
*O jornalista viajou a convite da Abiec







