Animais dóceis, de pelagem vistosa e longos chifres laterais são os mais fotografados entre as atrações da 64ª ExpoLondrina, feira que se encerrou no último domingo, em Londrina (PR). Há momentos em que os pavilhões que abrigaram os bovinos da raça Texas longhorn ficaram congestionados de pessoas que desejam uma imagem com os icônicos touros e vacas que se acostumaram a ver em filmes americanos.
“Eles são lindos. O que eu quero entender é como fazem para cuidar desses animais, com chifres muito grandes”, comenta a cabeleireira Marina Pinheiro, admirando os animais ao lado do marido, Lincoln Oliveira. Em uma tradução livre do inglês para o português, longhorn significa chifre longo.
Satisfeitos com a curiosidade do público, os criadores que participaram da feira concordam que os chifres, que chegam a até 2,5 metros de uma ponta a outra, são excelentes para a divulgação da raça, mas o que eles buscam é mostrar aos colegas pecuaristas que o cruzamento de animais Texas longhorn com outras raças resulta em bom rendimento de carcaça e uma carne com marmoreio – a gordura entremeada – que não deixa a desejar em comparação com o angus, por exemplo.
“Olho para os animais e vejo futuro”, diz o pecuarista José Cardoso Soares Neto, que trabalhou com diversas raças ao longo de 40 anos e tem fazendas no Paraná, no Amazonas e no Paraguai, além de um rancho no Texas (EUA).
Os animais longhorn ele conheceu de perto há menos de cinco anos, quando comprou quatro vacas importadas. Em seguida, resolveu ir pessoalmente ao Texas para adquirir exemplares selecionados. “Hoje, tenho 90 animais da raça nos Estados Unidos e 70 no Brasil”, conta.
Origem
Com pouca história em nosso país, os animais longhorn tem trajetória milenar. Originais da Espanha e de parte de Portugal, eles chegaram à América com os colonizadores, no final do século 15. Durante centenas de anos viveram de forma praticamente selvagem no Novo Mundo, até o fim da guerra civil americana, em 1865, quando voltaram a ser arrebanhados, sobretudo no Texas.
“Hoje, temos um animal rústico, que vai bem em qualquer temperatura, da neve ao calor de 50ºC. O interessante é que todos se mostram dóceis, de fácil manejo. Quanto aos chifres, a criatividade brasileira desenvolveu um tronco (de manejo) específico para a raça, de custo muito acessível”, explica Soares Neto, ao lado do touro Bux Tex, de 900 quilos aos dois anos e meio de idade.
“E os cruzamentos que fizemos resultaram em animais mochos”, complementa. Segundo ele, foram cruzados F1 angus com Texas longhorn puro sangue e meio sangue Texas longhorn com brangus.
Humberto Nobre, médico veterinário e vice-presidente de genealogia da Associação Brasileira dos Criadores de Gado Texas Longhorn (Abralho), ressalta que a carne desses animais mostra-se com alto teor de ômega-3 e com baixos índices de colesterol. “Além disso, a genética é excelente. Bem alimentados, ganham peso rapidamente”, ressalta.
De acordo com Nobre, a Abralho tem 105 associados e já são mais de 1 mil os animais Texas longhorn no Brasil. O objetivo é ultrapassar a marca de 1.500 exemplares até o fim do ano.
O processo de importação dos Estados Unidos, no entanto, envolve custos de logística, com transporte aéreo dos bovinos. Outro fator importante é a quarentena obrigatória pelas quais os animais devem passar na chegada ao país. As hemoparasitoses preocupam nos primeiros 30 dias em solo brasileiro, e as perdas de animais chegam a 5%.
Neste sábado, em leilão na ExpoLondrina, serão comercializados três embriões e 21 animais Texas longhorn. Espera-se, para algumas vacas, lances entre R$ 180 mil e R$ 300 mil. O preço de mercado de um embrião importado é de R$ 100 mil.
Luigi Carrer Filho, diretor de pecuária e melhoramento genético da Sociedade Rural do Paraná (SRP), destaca que a raça realmente vai muito além do chifre. “Estamos vendo animais de altíssima qualidade. É um trabalho ainda novo no Brasil, com um grande caminho pela frente, principalmente em relação à base genética, mas acreditamos que pode ser uma alternativa interessante”, declara.





