Pesquisadores brasileiros desenvolveram um biossensor capaz de detectar no sangue a proteína CA19-9, biomarcador associado ao câncer de pâncreas. Em testes iniciais com amostras humanas, a tecnologia apresentou desempenho semelhante ao exame Elisa, método laboratorial já utilizado para medir substâncias ligadas a doença. O estudo foi publicado em 22 janeiro na revista científica ACS Omega.
O câncer de pâncreas está entre os tumores de pior prognóstico. Uma das razões é que a doença costuma provocar poucos sintomas nas fases iniciais, o que atrasa o diagnóstico e reduz as chances de tratamento em tempo oportuno.
Por isso, pesquisadores buscam ferramentas capazes de identificar sinais biológicos do tumor de forma mais rápida, simples e acessível. A nova tecnologia foi criada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) com foco justamente nessa etapa inicial de investigação clínica.
Como funciona o biossensor
O dispositivo usa eletrodos de ouro modificados com materiais condutores e anticorpos preparados para reconhecer a CA19-9. Quando a proteína presente na amostra entra em contato com a superfície do sensor, ocorre uma alteração elétrica mensurável.
Segundo os autores, o sistema conseguiu atingir estabilidade de leitura em cerca de sete minutos. A resposta rápida é apontada como uma das vantagens do método.
Para avaliar o desempenho do biossensor, os pesquisadores analisaram 24 amostras de sangue de pessoas com diferentes condições clínicas e compararam os resultados ao exame Elisa.
Câncer de pâncreas
- Esse tipo de câncer ocorre quando células anormais crescem e se multiplicam no pâncreas, formando um tumor.
- Entre os principais sintomas da condição, estão: dor abdominal ou nas costas, perda de apetite e perda de peso involuntária, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes claras, coceira na pele, indigestão e fadiga.
- Dependendo do estágio da doença, o câncer de pâncreas pode ser tratado através de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.
- Não há medidas específicas para prevenir o câncer de pâncreas, porém evitar o tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade são boas alternativas para diminuir o risco da doença.
De acordo com o artigo, houve boa concordância entre os métodos, principalmente em concentrações baixas e intermediárias do biomarcador, faixa considerada relevante para investigações precoces.
Os próprios dados exigem cautela. A proteína CA19-9 não confirma sozinha a presença de câncer de pâncreas, pois também pode aparecer elevada em outras condições, como inflamações e doenças das vias biliares. Na prática, isso significa que o marcador costuma ser interpretado em conjunto com exames de imagem, histórico clínico e avaliação médica.
Os cientistas destacam que ainda são necessários estudos com grupos maiores de participantes para validar a tecnologia em larga escala. A equipe também pretende testar o sensor em outros fluidos biológicos, como saliva e urina.
Se os resultados forem confirmados nas próximas etapas, o biossensor poderá se tornar uma ferramenta auxiliar importante para ampliar o rastreio e acelerar a investigação de um dos cânceres mais agressivos.







