O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária ficou quase estável no primeiro trimestre de 2026, com leve alta de 0,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, trata-se de um resultado “extremamente positivo”, pois vem de uma base comparativa muito alta, avalia Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
“A safra do ano anterior foi excelente, então ainda que o PIB cresça 0,7%, é um resultado muito bom para o agro e acaba refletindo em um crescimento muito bom para o Brasil também”, disse o especialista.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (29/5) mostram que o PIB total do país cresceu 1,8% na comparação anual. Em relação aos três últimos meses de 2025, o PIB do primeiro trimestre de 2026 subiu 1,1% no desempenho nacional, enquanto o setor agropecuário avançou 2%.
Conchon explica que a análise da variação anual é a mais pertinente, em função das sazonalidades existentes na produção agropecuária.
Neste primeiro trimestre, o resultado do setor foi sustentado mais uma vez pela soja, mas o especialista também ressalta que impactos positivos vieram do café arábica, devido à bienalidade positiva, e do cacau.
“Na outra ponta, quem mais caiu foi a batata inglesa, que tem pouco peso para o PIB, mas também o arroz, algodão herbáceo, e o milho de primeira e segunda safra”, pontuou.
Olhando para frente, o coordenador da CNA acredita que os resultados da agropecuária no segundo e terceiro trimestres virão próximos da margem novamente, ou seja, “podem crescer um pouco ou cair um pouco, por conta da base comparativa alta do ano passado”.
Entretanto, no segundo semestre como um todo, mas principalmente nos últimos meses do ano, os impactos do fenômeno climático El Niño podem mexer com os resultados da produção.
“A gente tem dúvida sobre como o El Niño vai se refletir na safra de inverno. O clima será uma incógnita”, alertou Conchon.
Peso menor
Diferentemente do ano passado, a agropecuária não tende a ser o maior fator de impulso para o PIB do Brasil neste ano.
“O grande destaque da produção brasileira esse ano não deve ser o agro. Petróleo e gás devem puxar o crescimento de 2026, do ponto de vista de produção”, estima o coordenador da CNA.
A guerra no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo e, como consequência, a indústria intensificou a produção extrativa nacional.
“O Brasil importa diesel e gasolina, e exporta petróleo. Com o preço do petróleo alto no mercado internacional, vamos ver a Petrobras produzindo muito e isso deve se refletir (no PIB) ao longo dos meses de 2026”, estima Conchon.







