O trabalho começa sem motores, sem fumaça e sem o barulho característico dos cortadores de grama. Em vez disso, um trailer estaciona na frente da casa, cercas móveis são instaladas e, poucos minutos depois, um grupo de pequenas ovelhas assume o serviço.
A cena tem se tornado cada vez mais comum em bairros da região de Washington, D.C., nos Estados Unidos, graças à Lamb Mowers, empresa criada pelo norte-americano Cory Suter. Especializada em manejo natural da vegetação, a companhia utiliza ovelhas da raça Babydoll Southdown para aparar gramados, controlar ervas daninhas e substituir parte do trabalho normalmente realizado por máquinas.
Enquanto as ovelhas pastam, moradores costumam se reunir para observar o trabalho. Crianças se aproximam das cercas para ver os animais de perto, vizinhos param para tirar fotos e a manutenção do jardim acaba se transformando em um pequeno evento comunitário.
De acordo com a Lamb Mowers, a história da empresa começou em 2016, quando Suter passou a utilizar suas próprias ovelhas para controlar a vegetação em uma propriedade de permacultura no norte da Virgínia. O objetivo era reduzir o uso de equipamentos movidos a combustível e evitar herbicidas químicos.
A iniciativa deu certo. Além de consumirem gramíneas e plantas invasoras, os animais conseguiam acessar áreas íngremes ou de difícil alcance para máquinas convencionais. Pouco tempo depois, o que era uma solução para a propriedade se transformou em um negócio.
Hoje, os rebanhos percorrem residências, condomínios, vinhedos, áreas de preservação ambiental e espaços públicos da região.
As “jardineiras” mais fofas do bairro
Parte do sucesso da Lamb Mowers está diretamente ligada às suas protagonistas. As ovelhas pertencem à raça Babydoll Southdown, originária da Inglaterra e considerada uma das menores do mundo.
Com cerca de 45 a 60 centímetros de altura, elas chamam atenção pela aparência que lembra um bicho de pelúcia: corpo compacto, lã abundante e rosto arredondado. Algumas das estrelas do rebanho têm até nomes próprios, como Oreo, Marshmallow, Ice Cream e Mr. Snuggles.
A escolha da raça não foi apenas estética. Por serem menores e mais leves, as Babydoll Southdown conseguem circular pelos jardins sem compactar excessivamente o solo ou causar danos significativos às áreas paisagísticas, segundo a empresa.
Embora a imagem das ovelhas trabalhando seja o principal atrativo, a proposta da empresa está ligada a um conceito conhecido como pastejo direcionado, técnica utilizada há décadas na agricultura para controlar a vegetação por meio do comportamento natural dos animais.
Em vez de combustível fóssil, as ovelhas utilizam apenas a energia obtida da própria alimentação. Enquanto removem a vegetação, também devolvem nutrientes ao terreno por meio do esterco, contribuindo para a matéria orgânica do solo.
O sistema reduz ruídos, elimina emissões associadas ao uso de cortadores a gasolina e dispensa parte dos produtos químicos normalmente empregados no controle de plantas invasoras.
Além das “diárias de jardinagem”, em propriedades maiores, o serviço pode durar mais de um dia. Nesses casos, a empresa oferece o chamado “Sheep-over”, uma espécie de hospedagem temporária para os animais.







