O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (4/5), a ata referente à reunião de abril. O comunicado oficial da última reunião reforça o tom de cautela do colegiado.
Na última ata, o colegiado afirmou que a decisão de reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, o que levou o índice para 14,50% ao ano, é compatível com o cenário atual, mas sinalizou ficar de olho nos desdobramentos do conflito para as tomadas de decisões futuras.
“Os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz trecho da ata.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.
Ao mesmo tempo que demonstra preocupação com o impacto inflacionário decorrente da guerra no Oriente Médio, o Copom defende que a decisão tomada foi adequada.
“Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preço”, diz o Copom na ata.
Sobre novos cortes, o Copom foi evasivo na ata. O colegiado explicou a última decisão e reforçou que ela estava em linha com a ata anterior, mas que as decisões vão depender da incorporação de informações sobre o andamento da economia, inclusive fatores externos.
“O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, aponta o Copom.
Expectativas do mercado para a Selic
Analistas do mercado financeiro, consultados semanalmente no relatório Focus, estimam que a taxa básica de juros, a Selic, feche 2026 em 13% ao ano. Ou seja, não há expectativa de novos aumentos na taxa. As estimativas para os próximos anos também seguem as mesmas, confira abaixo:
Para 2027, a previsão da taxa de juros é de 11% ao ano.
Para 2028, a estimativa continua em 10% ao ano.
Para 2029, a estimativa é de 10% ao ano.
Próximas reuniões do Copom:
- 16 e 17 junho;
- 4 e 5 de agosto;
- 15 e 16 de setembro;
- 3 e 4 de novembro;
- 8 e 9 de dezembro.







