A descoberta de um foco de Amaranthus palmeri, uma das plantas daninhas mais agressivas do mundo, reacendeu a preocupação de autoridades sanitárias sobre o avanço de pragas altamente resistentes na agricultura brasileira.
Conhecida pelo difícil controle, a espécie, também chamada de caruru-palmeri e caruru-gigante, foi detectada pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) em uma propriedade rural de Campo Erê (SC) e pode causar prejuízos às lavouras caso não seja contida rapidamente.
Em culturas como soja e milho, por exemplo, a presença da planta daninha é considerada extremamente prejudicial, com risco de perda variando de 70% a 100% por comprometer o desenvolvimento e, em situações mais extremas, inviabilizar até a colheita.
Por que o Amaranthus palmeri é considerado tão perigoso?
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma das principais características da espécie é a agressividade, pois tem crescimento estimado entre 2,5 e 4 centímetros por dia em condições ideais. Em alta densidade, o avanço pode chegar a 6 centímetros. Outra particularidade é a resistência a herbicidas, o que dificulta ainda mais o controle por parte das autoridades sanitárias e dos produtores rurais.
“Nos Estados Unidos, há populações de caruru-palmeri resistentes a até seis diferentes mecanismos de ação: inibidores da acetolactato-sintase, protoporfirinogênio-oxidase, biossíntese de carotenoides, fotossistema II, formação de microtúbulos e EPSPs. Os biótipos podem apresentar resistência cruzada, ou seja, quando apresenta resistência a dois ou mais herbicidas de um mesmo mecanismo de ação, ou resistência múltipla, quando é resistente a dois ou mais herbicidas de diferentes mecanismos de ação”, destaca a Embrapa.
A grande capacidade de reprodução e dispersão mantém preocupa. Isso porque, dependendo das condições de desenvolvimento, uma única planta pode produzir, em média, de 80 mil a 250 mil sementes. Há relatos, no entanto, de que o número ultrapassa 1 milhão.
Amaranthus palmeri em Santa Catarina
Com a confirmação do foco por meio de exames laboratoriais, a Cidasc adotou, inicialmente, três medidas emergenciais para conter o problema em Santa Catarina: interdição do local, destruição das plantas e delimitação de áreas em propriedades vizinhas.
Além disso, conforme Alexandre Mees, gestor do Departamento Estadual de Defesa Sanitária Vegetal (Dedev) da entidade catarinense, agricultores da região estão sendo orientados sobre o Amaranthus palmeri, com informações sobre o potencial de dano às lavouras e dicas para identificar corretamente a espécie.
Veja como é a planta de Amaranthus palmeri:
- folhas são ovais, com pecíolo maior que a lâmina foliar;
- pode apresentar mancha branca em formato de “V” invertido;
- possui inflorescências femininas com estruturas rígidas semelhantes a espinhos;
- o porte é mais ereto e as inflorescências, menos ramificadas;
- plantas masculinas e femininas ficam separadas.







