A companhia de logística VLI registrou no ano passado recorde na movimentação de grãos (milho e soja) e farelos, um dos principais segmentos atendidos pela empresa. Segundo a VLI, o volume transportado pelas ferrovias que opera alcançou 23 milhões de toneladas úteis (MTU), resultado 16% superior ao registrado em 2024. Nos portos operados pela VLI, foram embarcadas 15,4 MTU, crescimento de 14% na comparação anual.
A empresa não divulga projeções para este ano, mas avalia que o transporte ferroviário tende a ser estratégico para os agricultores, em um cenário de margens apertadas pela conjuntura de mercado, agravado pelos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os custos de produção no campo.
“A respeito do conflito, do ponto de vista do nosso cliente, o produtor, temos acompanhado o cenário de margens cada vez mais apertadas, e o custo com combustível, com certeza, é um dos principais fatores de impacto. Isso torna a questão da eficiência logística ainda mais necessária”, afirmou a VLI ao Valor.
“Nesse contexto, o papel da ferrovia é garantir a competitividade no transporte de longas distâncias, exercendo uma função fundamental de proteger a rentabilidade do produtor”, acrescentou.
De acordo com Carolina Hernandez Tascon, diretora comercial da VLI, o crescimento na produção brasileira de grãos é outro fator que pode impulsionar os resultados da empresa.
“A expectativa da Companhia Nacional de Abastecimento para este ano é de que a safra chegue a 353,4 milhões de toneladas, representando um crescimento de 0,3% em relação ao ciclo 2024/25. A VLI não faz projeções, mas buscamos sempre acompanhar o movimento da produção e da comercialização, as duas variáveis que influenciam nossas expectativas”, disse Tascon ao Valor.
Segundo a executiva, os resultados obtidos no ano passado são provenientes do crescimento da demanda, mas também do retorno de investimentos realizados pela companhia.
Nos últimos dois anos, a VLI investiu cerca de R$ 7 bilhões no sistema multimodal integrado. Isso envolve desde os equipamentos que descarregam os caminhões nos terminais, passando pela inspeção das ferrovias e vagões, até os carregadores de navios nos portos. Desde 2024, a empresa adquiriu 27 locomotivas, o que demandou investimento de R$ 600 milhões.







