O destaque das chuvas no Brasil em fevereiro ficou nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, onde os acumulados passaram de 240 milímetros na maioria dos Estados, afetando os trabalhos em áreas de algumas culturas agrícolas. A informação é do boletim do mês do sistema Tempocampo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
A região Norte também registrou acumulados expressivos, superiores a 240 mm, em todos os Estados, exceto Roraima, que apresentou volumes inferiores a 30 mm. No Nordeste, os acumulados ficaram em torno de 60 a 120 mm, com volumes levemente mais expressivos na faixa oeste da região.
Na região Sul, apesar do enfraquecimento do La Niña, as precipitações foram irregulares, com acumulados predominantemente entre 90 e 120 mm, aponta o boletim.
Em relação ao armazenamento de água no solo, o cenário permanece de contraste. As regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, apresentaram boas condições de umidade do solo, com valores de Capacidade de Água Disponível (CAD) superiores a 60%.
Por outro lado, o Nordeste mantém uma situação de estresse hídrico, especialmente em Sergipe, Alagoas e Pernambuco, com grande parte do seu território registrando armazenamento abaixo de 45%. Na região Sul, os índices de umidade variam predominantemente entre 45% e 60% no Paraná e Santa Catarina, enquanto no Rio Grande do Sul a umidade permaneceu mais baixa, entre 30% e 45%.
Desenvolvimento da safra de milho
As estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção da primeira safra de milho apresentaram aumento de aproximadamente 7% em relação ao último levantamento, evidenciando o efeito das boas condições climáticas majoritariamente observadas ao longo do ciclo da cultura.
No Rio Grande do Sul, a colheita alcançou 68% da área, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS). Foi observado desempenho desuniforme das lavouras, onde áreas precoces apresentaram boas produtividades, enquanto aquelas mais tardias sofreram com a falta de chuvas no Estado, apresentando menor rendimento e qualidade dos grãos.
Em Santa Catarina, as estimativas de produção seguem otimistas apesar do impacto pontual de estiagens ao longo do mês. A colheita foi realizada em 22% das lavouras, que apresentam boas condições em sua grande maioria, de acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri/SC).
No Paraná, a colheita também avançou, e as lavouras apresentaram condições variáveis, resultado da desuniformidade climática registrada nas fases de desenvolvimento da cultura. Apesar disso, de forma geral, a expectativa de produção segue otimista, com algumas áreas apresentando produtividades recordes no Estado.
Por fim, em Goiás, as lavouras apresentaram excelentes condições ao longo do mês de fevereiro, favorecidas tanto pelas boas condições climáticas, quanto fitossanitárias. Boa parte das áreas se encontra em fase de maturação, e espera-se que a colheita se inicie no início do mês de março.
Já a semeadura do milho segunda safra avançou nos principais Estados produtores com a liberação das lavouras pós-colheita da soja. Há expectativa de leve queda na produção dessa safra, resultado principalmente da redução na área cultivada devido ao estreitamento da janela ideal de cultivo, aponta o Tempocampo.
A soja e as chuvas no Centro-Oeste
A colheita da safra de soja atingiu aproximadamente 32,3% da área total destinada ao cultivo no país. De acordo com o último levantamento da Conab, houve revisão na estimativa de área, com incremento de 2,3% em relação à safra anterior.
No Estado de Mato Grosso, apesar da elevada frequência de precipitações, os trabalhos avançam de forma consistente. Conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita alcançou 65,75% da área estimada, com avanço semanal expressivo.
Em Mato Grosso do Sul, as precipitações ao longo do mês ocasionaram interrupções pontuais na colheita, mas beneficiaram as lavouras tardias em enchimento de grãos. De acordo com a Aprosoja/MS, projeta-se produtividade média 2% superior à registrada no ciclo anterior.
A região médio-norte apresenta o maior percentual colhido, com 90,55%, seguida pelo noroeste, com 79,02%, e pelo sudeste, com 37,38%, sendo esta última a mais impactada pelas precipitações. De forma geral, as perspectivas de produtividade permanecem favoráveis, indicando cenário de elevada produção na temporada.
No Paraná, a ocorrência de déficit hídrico em algumas regiões tem reduzido o potencial produtivo das áreas em fase de enchimento de grãos. Segundo o Deral/PR, aproximadamente 37% da área total foi colhida. Em comparação com a safra anterior, o ritmo de colheita encontra-se atrasado, embora ainda dentro da normalidade histórica.
No Rio Grande do Sul, as lavouras enfrentam déficit hídrico, uma vez que as chuvas ocorridas foram insuficientes para suprir a demanda da cultura. A maior parte das áreas encontra-se em enchimento de grãos, correspondente a 60%, seguida por floração, com 28%, desenvolvimento vegetativo, com 8%, e maturação, com 4%.






