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Home Agricultura e Pecuária

Morte de 48 vacas leiteiras é investigada no RS; saiba como prevenir casos de intoxicação

Globo Rural por Globo Rural
19/01/2026
em Agricultura e Pecuária
Tempo de leitura: 4 minutos
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Especialistas acreditam que as vacas leiteiras morreram de intoxicação por nitrito — Foto: Ana Paula Witter/Arquivo pessoal

Especialistas acreditam que as vacas leiteiras morreram de intoxicação por nitrito — Foto: Ana Paula Witter/Arquivo pessoal

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Em três dias, uma família de agricultores de Novo Xingu, no norte do Rio Grande do Sul, perdeu 48 vacas leiteiras. A principal suspeita é de que uma intoxicação por excesso de nitrito (um composto de nitrogênio e oxigênio que é tóxico em altas concentrações) tenha provocado a morte dos animais. O caso gerou um prejuízo estimado em R$ 600 mil.

A Inspetoria Veterinária de Constantina, responsável pela região de Novo Xingu, coletou vísceras de animais, além de água, ração, silagem e pastagem. Ainda não há previsão para a conclusão dos exames laboratoriais.

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No momento, especialistas acreditam que as mortes ocorreram devido a uma intoxicação alimentar. “A pastagem precisa de luz, água e gás carbônico para crescer e se desenvolver bem. A falta de um desses elementos, além de prejudicar o crescimento e o desenvolvimento dessa pastagem, também pode tornar a planta tóxica”, explica a zootecnista Maíza Scheleski da Rosa, superintendente técnica substituta da Associação de Criadores da Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando).

Segundo a especialista, o risco de intoxicação das plantas ocorre principalmente quando ocorre uma seca seguida por chuvas, ou um período grande de dias nublados ou chuvosos, seguidos por dias de sol. “Nesses casos a pastagem poderá ter um excesso de nitrato nas suas folhas, principalmente se tiver sido adubada. O excesso de nitrogênio também pode intoxicar o pasto” destaca Maíza.

Quando o animal consome essa pastagem, o nitrato é convertido em nitrito no rúmen, e depois em amônia. “O problema acontece quando a produção de nitrito é mais rápida do que a sua conversão em amônia. Ele é rapidamente absorvido pelo rúmen e entra na corrente sanguínea, impedindo que o sangue leve o oxigênio para o corpo. A vaca respira normalmente, mas está sem oxigênio por dentro”, explica a zootecnista.

Como aconteceu

O caso começou em 2 de janeiro. Naquele dia, às 05h30 da manhã, antes da ordenha, o criador Vanderlei Witter encontrou quatro vacas mortas ao conferir o rebanho. A partir disso, a tragédia foi aumentando.

“A gente chamou veterinários, pessoal da prefeitura, da cooperativa. Mas outras vacas seguiam apresentando os mesmos sintomas, babavam, ficavam sem ar, deitavam e não levantavam mais”, explica Ana Paula Witter, filha de Vanderlei.

No fim da tarde, 15 animais já haviam morrido. Mas o problema continuou. Na manhã do sábado (3/1), outras 16 vacas estavam mortas. Até o domingo (4/1), todas as 48 vacas em lactação da propriedade foram perdidas. Os animais em valas e cobertos com cal.

“Temos umas 50 novilhas e três vacas adultas que estão secas (não produzindo leite), mas elas não estavam no mesmo piquete das que estavam em lactação e não foram afetadas”, explica Ana Paula.

As vacas mortas produziam de 1.200 a 1.400 litros diários de leite, gerando uma renda de R$ 80 mil a R$ 100 mil por mês para a família Witter. Mas, além da perda financeira, os produtores também tiveram um choque emocional devido ao apego aos animais.

“Todas as vacas tinham nome, de doce ou de time de futebol. Era muito triste ver tudo aquilo, foram mortes muito sofridas”, lamenta Ana Paula.

Vacas mortas produziam de 1.200 a 1.400 litros diários de leite — Foto: Ana Paula Witter/Arquivo pessoal
Vacas mortas produziam de 1.200 a 1.400 litros diários de leite — Foto: Ana Paula Witter/Arquivo pessoal

Campanha de ajuda

Apesar da tragédia, a família não pensa em desistir da atividade. “Meu pai diz que essa sempre foi a profissão dele, faz 30 anos que ele cria gado de leite, e não vai parar. Nós gostamos de lidar com os animais. Sem contar que fizemos muitos investimentos por conta das vacas, não podemos abandonar tudo”, destaca a produtora.

Uma campanha de apoio foi criada a fim de arrecadar doações de animais e dinheiro. Interessados em ajudar a família podem destinar recursos à seguinte chave PIX: 55999232798. Doações de animais podem ser realizadas através dos telefones/WhatsApp (54) 99984.3251 e (54) 999232798.

Prevenção

Para prevenir a intoxicação de animais por nitrito, técnicos da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi) recomendam algumas práticas:

  • respeitar o intervalo entre a adubação nitrogenada e o pastejo;
  • evitar aplicações em períodos nublados ou chuvosos;
  • adaptar gradualmente os animais a pastos recém-adubados,
  • redobrar a atenção após seca seguida de chuva;
  • oferecer suplementação alimentar para reduzir o consumo excessivo de pastagem de risco.
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