As vendas globais de alimentos e bebidas orgânicos chegaram a 144,9 bilhões de euros em 2024. A informação está no relatório “O Mundo da Agricultura Orgânica: Estatísticas e Tendências Emergentes 2026”, do Instituto de Pesquisa em Agricultura Orgânica (FiBL) e Organics Internacional.
Os dados de dois anos atrás são os mais recentes do levantamento, que as entidades divulgaram nesta semana. O crescimento nas vendas em 2024 é de 6,9 bilhões de euros. Em 2023, o varejo de orgânicos global somou 138,1 bilhões de euros em vendas.
Os responsáveis pelo estudo avaliam que os números evidenciam a “resiliência do consumidor nos principais mercados” do segmento. Eles pontuam que condições econômicas e políticas, de modo mais amplo, determinaram o comportamento da demanda.
“Inflação de alimentos, tensões geopolíticas, tarifas e escassez de mão de obra influenciara os preços e o comportamento do consumidor”, afirma o relatório.
Os Estados Unidos lideram o comércio global, com 60,4 bilhões de euros, seguido pela Alemanha, com 17 bilhões, e pela China, com 15,5 bilhões de euros em vendas.
Já os países em que as vendas mais cresceram de 2023 para 2024 foram Noruega (21,3%), Luxemburgo (20,2%) e Hungria (13,9%). A Suíça é o país com maior gasto per capita em produtos orgânicos, de 481 euros por pessoa ao ano, bem acima da média mundial, de 17,7 euros. Dinamarca, Áustria, Luxemburgo e Alemanha vêm atrás.
“Os consumidores estão gastando mais em alimentos e bebidas orgânicas, enviando um sinal claro para produtores, processadores e varejistas de que a demanda permanece resiliente”, avalia a Organics International, em nota.
Por região, a América do Norte é o maior mercado para alimentos e beidas orgânicos no mundo, seguida pela Europa e pela Ásia.
“No geral, o setor apresentou uma demanda resiliente do consumidor, mas espera-se que o crescimento futuro dependa em grande parte da estabilidade econômica, das políticas comerciais e dos impactos climáticos na produção”, avaliam os pesquisadores, no relatório.
Produção orgânica no mundo
O relatório mostra que 183 país têm alguma atividade relacionada à produção e ao mercado de orgânicos em todas as partes do mundo. Nos cálculos dos responsáveis pelo levantamento, são 4,8 milhões de produtores rurais (+12,4%), a maior parte na Índia, Uganda e Etiópia.
Em 2024, a área cultivada com orgânicos em todas as regiões do planeta somou 98,9 milhões de hectares, praticamente estável (-0,2%) em relação ao ano anterior. A liderança é da Austrália (53 milhões), seguida por Índia (4 milhões) e Argentina (3,9 milhões de hectares).
O Brasil somou um milhão de hectares em 2024. São quase 29 mil produtores que comercializaram, dois anos atrás, o equivalente a 778 milhões de euros.
Ao traçarem um panorama da produção global, as entidades que realizaram o estudo pontuam que as mudanças climáticas são fatores de risco para a oferta de alimentos e bebidas orgânicas.
“As mudanças climáticas e o aumento da variabilidade climática afetaram a produção e a dinâmica de certificação, especialmente em setores de exportação importantes, como cacau e café. Eventos climáticos extremos intensificaram ainda mais esses desafios”, informa o relatório.
O documento menciona o que chama de divergência entre o crescimento do mercado e a estagnação de terras agrícolas no segmento. E relaciona a situação a “desafios regulatórios, estruturais e ambientais”.
“Embora a demanda por produtos orgânicos continue a crescer, a capacidade de produção está se ajustando. Abordar esses fatores será essencial para garantir que a produção orgânica possa se desenvolver de forma sustentável e em linha com o crescimento do mercado nos próximos anos”, informa.





