O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em nota nesta quinta-feira (12/2) que não possui qualquer “relação de amizade e muito menos amizade íntima” com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
“O ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”, diz a nota. “Por fim, o ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel” (leia na íntegra abaixo).
Na nota, o ministro admitiu ser sócio da empresa Maridt, que vendeu participações por meio de fundos no Resort Tayayá, no Paraná, para Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A manifestação do magistrado ocorre após a Polícia Federal encontrar menções a Toffoli no celular de Vorcaro.
De acordo com pessoas a par do conteúdo obtido pela PF e revelado pelo Metrópoles na coluna Mirelle Pinheiro, conversas no celular de Vorcaro mostram diálogos privados com Zettel, incluindo menções a pagamentos e discussões sobre valores que seriam repassados à empresa Maridt.
A Maridt foi dona de uma porcentagem do Resort Tayayá, que foi vendido para o fundo Arleen, parte de um grupo controlado pelo Master. O empreendimento de veraneio foi vendido ainda a um fundo de investimento administrado pela Reag, financeira investigada no escândalo do Banco Master.
Essa ligação levantou questionamentos sobre a conduta de Toffoli como relator do inquérito do Banco Master no STF. O ministro também foi responsável, em 2023, pela suspensão do pagamento de multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência firmado pela J&F (dos irmãos Batista) com o Ministério Público Federal (MPF).
O que disse Dias Toffoli
A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.
Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.






