O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) registrou uma redução de 30,98% na área atingida por incêndios nas Unidades de Conservação (UCs) estaduais em 2025, em comparação com 2024. Em números absolutos, a extensão afetada caiu de 174.544 hectares para 120.476 hectares. A informação foi divulgada pelo órgão nesta segunda-feira, 5.
Entre as UCs, destacam-se o Parque Estadual do Cantão (PEC), com redução de 96,13% na área queimada; a Área de Proteção Ambiental (APA) Ilha do Bananal/Cantão, com diminuição de 51,12%; o Parque Estadual do Jalapão (PEJ), com queda de 33,87%; e a APA Lago de Palmas, com 32,75%. Os dados foram obtidos por meio da plataforma de monitoramento Programa Brasil Mais, da Polícia Federal (PF).
O resultado, segundo a gestão, é atribuído a um plano de ação integrado do Governo do Estado, que antecipou e intensificou as estratégias de prevenção, monitoramento e combate ao fogo. “O Estado contou com um plano elaborado previamente, por determinação do governador Wanderlei Barbosa, que abrangeu desde ações preventivas até o enfrentamento direto das queimadas. Esse direcionamento permitiu ao Naturatins atuar de forma mais coordenada e eficaz nas UCs, com a preparação das equipes, investimentos em capacitação e a disponibilização de equipamentos e infraestrutura adequados”, explicou o presidente do Naturatins, Cledson Lima.
Ações de Prevenção
– Manejo Integrado do Fogo (MIF): Foram realizadas 286 queimas prescritas entre maio e julho, antes do período crítico de seca, para reduzir material combustível e criar barreiras contra grandes incêndios.
– Reforço na Brigada: Cerca de 40 novos brigadistas foram contratados, totalizando aproximadamente 112 profissionais distribuídos pelas UCs. Em julho, 75 brigadistas receberam capacitação.
– Tecnologia no Monitoramento: O uso de satélites e drones permitiu identificar focos de calor em tempo real e agilizar a resposta, especialmente em áreas de difícil acesso.
– Combate Direto Intensivo: Entre agosto e outubro, período de pico das queimadas, as brigadas registraram 299 operações de combate, empregando técnicas como construção de aceiros e contrafogo, em cooperação com o Corpo de Bombeiros e outras instituições.
“Neste ano conseguimos ampliar o contingente da brigada e fortalecer nossa rede de parceiros no Manejo Integrado do Fogo. Esse reforço foi fundamental para executar as queimas prescritas previstas e nos deu mais fôlego durante os combates. Com mais brigadistas, tornou-se mais viável que equipes de uma Unidade de Conservação apoiassem outras quando necessário”, disse o coordenador do Núcleo de Manejo Integrado do Fogo do Naturatins, Lyon Cardoso.
Ações de Combate
As ações de combate direto a incêndios florestais realizadas pela Brigada Gavião Fumaça do Naturatins iniciaram-se no final de julho de 2025, quando as condições climáticas no Tocantins começaram a se agravar, com redução de chuvas e aumento das temperaturas. Diante desse cenário de estiagem, as equipes passaram a atuar de forma intensiva nas Unidades de Conservação estaduais, concentrando esforços na contenção de focos ativos.
O chefe da Brigada do Parque Estadual do Jalapão, Alessandro Machado, ressalta a complexidade e responsabilidade do combate direto à incêndios, pois envolve não apenas o enfrentamento às chamas, mas também a consideração de variantes como as condições do vento e do clima. “Trata-se de um trabalho que exige grande esforço físico e mental, mas a brigada conta com uma equipe preparada e experiente, o que facilita a atuação. A prática do contrafogo, por sua vez, requer extrema responsabilidade, pois qualquer perda do controle pode agravar o incêndio e resultar em desastres com danos à população e ao meio ambiente”.
Entre agosto e outubro, período de maior incidência de queimadas no estado, as brigadas mantiveram operações contínuas, com mobilização de pessoal, veículos e equipamentos. As atividades envolveram técnicas de combate direto e indireto, construção de aceiros, emprego de contrafogo, monitoramento aéreo e cooperação interinstitucional, especialmente com o Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins (CBMTO), a Defesa Civil Estadual, a Brigada Restaura Cantão e brigadas municipais. Ao todo, foram registradas 299 ocorrências de combate a incêndios nas Unidades de Conservação.
Unidades de Conservação
Denomina-se Unidade de Conservação (UC) a área natural que, por suas características especiais, é passível de proteção conforme definido pelo Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC), pela Lei n° 1.560, de 5 de abril de 2005. No Tocantins, o Naturatins é o órgão responsável pela administração das 13 UCs estaduais, que somam cerca de 2,88 milhões de hectares. Desse total, nove unidades estão em operação e contam com equipes técnicas locais; as outras recebem apoio técnico e operacional da sede do instituto.
Atualmente, integram o sistema as seguintes Unidades de Conservação estaduais as APAs Nascentes de Araguaína, Jalapão, Serra do Lajeado, Ilha do Bananal/Cantão, Lago de Palmas, Foz do Rio Santa Tereza, Lago de Peixe/Angical, Lago de São Salvador e Lago de Santa Isabel. Além dos Parques Estaduais do Cantão, Jalapão e Lajeado e do Monumento Natural Estadual das Árvores Fossilizadas do Tocantins (Monaf).






