O PT vai reeditar estratégias utilizadas na campanha presidencial de 2022 para tentar reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. A sigla acionará, mais uma vez, comitês para aproximação com evangélicos e uma plataforma para receber sugestões populares ao programa de governo da chapa Lula-Geraldo Alckmin.
Os primeiros passos já foram dados. Os comitês já têm sido mobilizados, e a plataforma digital deverá ser lançada nesta sexta-feira (29/5), durante evento em São Paulo.
Há quatro anos, diante do crescimento do eleitorado evangélico, o PT mobilizou comitês religiosos para ampliar o diálogo com igrejas e lideranças cristãs. Assim como nas últimas eleições, desta vez, a estratégia deverá ficar sob responsabilidade da área de mobilização da campanha.
Em plenária realizada na noite de quarta-feira (27/5), o ex-ministro Gilberto Carvalho, que será responsável pela agenda de Lula na campanha de 2026, defendeu que o partido intensifique a aproximação com o eleitorado evangélico.
Integrantes do entorno petista avaliam que ainda há espaço para conquistar votos entre cristãos, segmento que, segundo pesquisas, tende a se alinhar ao provável adversário de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O desempenho entre evangélicos é considerado um desafio recorrente para Lula. Em 2022, além das ações de reaproximação com o segmento, o petista divulgou uma carta com compromissos direcionados ao grupo. No documento, Lula afirmava, entre outros pontos, que não fecharia igrejas e que defenderia a liberdade religiosa.
“A nós cabe romper esse muro que construíram. Nosso projeto tem uma grande coincidência com o projeto de Jesus, o evangelho”, disse Gilberto Carvalho.
O ex-ministro também defendeu, no encontro, que o PT amplie o diálogo com caminhoneiros e trabalhadores de aplicativos, outros dois segmentos historicamente mais alinhados à família Bolsonaro.
Coordenação da campanha
- A coordenação da campanha de Lula tem sido ampliada com novos integrantes nas últimas semanas.
- O presidente nacional do PT, Edinho Silva, deve assumir a coordenação-geral.
- O ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli deve coordenar a elaboração do programa de governo.
- O ex-prefeito de Diadema José de Filippi deve ficar com a tesouraria.
- A comunicação da campanha deve ficar sob comando de Raul Rabelo. O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, também deve colaborar.
- A coordenação também deve reunir Paulo Okamotto, Gilberto Carvalho, Wellington Dias, Camilo Santana e Guilherme Boulos.
- Novos integrantes poderão ser incorporados conforme o avanço das alianças com outros partidos.
Trabalho coletivo
Outra estratégia retomada pelo partido será a construção coletiva do programa de governo da candidatura à reeleição. Em 2022, uma plataforma digital recebeu mais de 8,5 mil propostas para a elaboração do documento.
Neste ano, o modelo será mantido. O PT e partidos que já aderiram à pré-candidatura de Lula lançarão a plataforma virtual “Plano Participativo Pelo Brasil, Pelos Brasileiros”, por meio da qual eleitores e movimentos sociais poderão enviar sugestões para o programa de governo.
O processo será coordenado pelo ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, com participação da Fundação Perseu Abramo, braço de formação do PT.
Plataforma
A plataforma ficará aberta para contribuições até 30 de junho. A expectativa é que as propostas sejam consolidadas em julho e encaminhadas ao núcleo responsável pela elaboração final do programa de governo, liderado por Gabrielli.
O documento da campanha deverá seguir as diretrizes aprovadas pelo PT durante o congresso nacional da sigla, realizado em abril, além de incorporar propostas apresentadas por partidos que integrarão o arco de alianças da candidatura, como o PSB e o PDT.
Entre os pontos aprovados pelo congresso petista e que podem constar na versão final do programa, estão a implantação da tarifa zero no transporte público, reformas no sistema prisional e a criação de um Ministério da Segurança.







