O mercado pecuário apresentou estabilidade nesta quarta-feira (15/4) em quase todo o Brasil, informa a Scot Consultoria. Tanto a ponta vendedora quanto a compradora estiveram realizando negócios de forma mais compassada, em busca de melhores oportunidades no curto prazo.
Das 33 praças monitoradas pela Scot, 24 não tiveram alterações nos preços do boi gordo. Outras nove regiões registraram aumentos nas cotações na comparação diária. Em Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, a arroba do boi seguiu cotada a R$ 365 para o pagamento a prazo.
Para Josilene Almeida, analista econômica da GEP Brasil, o ciclo pecuário segue indicando menor disponibilidade de animais ao longo do ano, em função da retenção de fêmeas para recomposição do rebanho. “Esse fator continua limitando a oferta e sustentando preços mais elevados, reforçando o viés altista da proteína no curto e médio prazo”, afirma a especialista.
Já Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, destaca que o mercado físico do boi gordo começa a apresentar sutis sinais de mudança. “Os frigoríficos passam a relatar para um posicionamento mais confortável em suas escalas de abate, indicando para avanços. Além disso, determinadas unidades seguem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para aquisição de boiadas no curtíssimo prazo”, comenta.
O especialista lembra que a progressão da cota chinesa segue como fator essencial para a formação de tendência em 2026, com o possível esgotamento apontando para preços mais baixos em maio e no restante do terceiro trimestre. “Em termos de normas regulatórias a China é cada vez mais rigorosa, com o anúncio de suspensão das compras de um frigorífico brasileiro por traços de acetato de medroxiprogesterona, fármaco veterinário proibido na China”, relata Iglesias.
Terminação
Mesmo com o bezerro em constante valorização, os atuais patamares recordes reais nos preços de negociação da arroba do boi gordo vêm garantindo melhora nas contas do pecuarista terminador, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Nesta parcial de abril, a quantidade de arrobas necessárias para a compra de um bezerro foi a menor em 12 meses.
Até o dia 14, o indicador do boi gordo Cepea/Esalq (baseado no Estado de São Paulo) apresenta média de R$ 363,82, com avanço de 14% em relação à de abril de 2025. Já o indicador do bezerro (animal nelore, de 8 a 12 meses, no Mato Grosso do Sul), registra média de R$ 3.316,71, uma expressiva alta de 19,45% na comparação anual.
Com isso, o Cepea destaca que o pecuarista terminador de São Paulo precisa de 9,12 arrobas para comprar um animal de reposição em Mato Grosso do Sul. Esta é a melhor relação de troca desde abril do ano passado, quando eram necessárias 8,71 arrobas para realizar a mesma aquisição.







