Na CASACOR Tocantins 2026, a arte ultrapassa o papel de complemento dos ambientes. Ocupa paredes, ressignifica estruturas e cria conexões entre arquitetura, território e identidade. Em diferentes espaços do Orquidário de Palmas, obras de artistas tocantinenses incorporam novas leituras sobre o Estado e ampliam a experiência de quem percorre a mostra.
Os trabalhos dialogam com “Mente e Coração”, tema nacional desta edição, que propõe pensar a casa a partir do equilíbrio entre razão, emoção e bem-estar. No Tocantins, essa proposta encontra referências no Cerrado, na fauna, na flora e nas memórias construídas por quem vive e cria aqui.
A produção local aparece em diferentes linguagens, com obras de Antônio Netto, Fernando Costa Filho, Iguatemy Lopes, Laís de Freitas, Sarah Gomes, Maria do Rosário Madu, Pierre de Freitas (in memoriam), Vinicius Alcerte, Daniel Taveira, Bruna Moreira, Lero, Moss, Winny Tapajós, Nina Coimbra, Dio Carvalho e Misael Rocha. Pintura, muralismo, fotografia, escultura, ilustração e arte urbana revelam diferentes trajetórias e formas de interpretar o território.
Natureza traduzida em pintura
Na Casa BRK, duas pinturas murais de Sarah Gomes, conhecida como Leoa do Norte, aproximam água, natureza e território. A artista construiu uma paisagem própria, formada por cores, texturas e elementos da fauna e da flora, integrada à proposta contemporânea do ambiente.
No centro da composição está o tuiuiú, ave encontrada em áreas alagadas do País, inclusive na Ilha do Bananal. A escolha amplia o repertório de símbolos associados ao Tocantins e estabelece uma conexão direta com a água, elemento central da Casa BRK.
“O tuiuiú é um animal emblemático e poderoso, que já aparece em outros trabalhos meus. Além de dialogar com o tema aquático, sua escolha permite apresentar outra referência da nossa fauna, para além das imagens mais recorrentes da arara-canindé e do tucano”, explica Sarah.
Tocantinense, a artista mantém uma produção marcada pela relação com o lugar onde vive. “Parte do meu trabalho está ligada ao território. A fauna e a flora são a forma como expresso essa conexão e construo cenas que falam da nossa relação com o meio ambiente”, afirma.
A exuberância das araras-canindé
Na área externa, Dio Carvalho transformou a caixa-d’água com a obra “Exuberante Canindé”, inspirada nas araras que fazem parte da paisagem e do cotidiano de Palmas. A intervenção, a maior já realizada pelo artista, nasceu inicialmente em aquarela e ganhou novas proporções durante a execução.
A composição explora pinceladas soltas, sobreposições e profundidade. De perto, os gestos assumem contornos quase abstratos. À distância, as formas se reorganizam e revelam as imagens.
“Foi necessário equilibrar os elementos e fazer com que as cores conversassem entre si e com a identidade visual da CASACOR. Ao mesmo tempo, gosto de deixar a pintura respirar e mostrar o que precisa para se materializar”, explica Dio.
Criado no Tocantins desde 1997, o artista leva para sua produção experiências construídas no Estado. “Cresci comendo caju do pé, tomando banho nos rios e cachoeiras e comendo chambari na feira. Essa vivência verdadeira é refletida no meu trabalho”, relata.
Ao transformar uma estrutura funcional em suporte artístico, Dio também defende uma arte mais próxima da vida cotidiana. “Acredito que devemos espalhar arte por todos os lugares, levando beleza e poesia às pessoas, sem aprisioná-la em espaços privados e excludentes.”
Arte como parte da casa
Ao reunir diferentes linguagens e gerações de artistas, a CASACOR Tocantins amplia o espaço dedicado à produção local e propõe outras maneiras de enxergar o Estado. Do mural incorporado à arquitetura à intervenção que transforma uma estrutura externa, as obras revelam um Tocantins atravessado por natureza, memória, identidade e pertencimento.
“A presença desses artistas amplia o significado dos ambientes e reforça o compromisso da CASACOR Tocantins com a valorização da produção local”, destaca Leny Morais, diretora da CASACOR Tocantins.
A CASACOR Tocantins 2026 reúne 34 ambientes no Orquidário de Palmas e segue aberta ao público até 10 de outubro.







