Não existe correlação direta entre o tamanho de uma pimenta e seu grau de ardência. Uma prova disso é a pimenta-de-bode, que é de pequeno porte, mas com uma só mordida já se percebe o ardor se espalhar por toda a boca. O cultivo de pimenta-de-bode tem crescido no Brasil, um movimento que reflete a boa demanda pela hortaliça, mas também a facilidade para se fazer o plantio e o baixo investimento necessário para a produção dessa planta alimentícia.
Tradicional na culinária brasileira, a pimenta-de-bode tem público fiel principalmente no Centro-Oeste. A planta, um dos temperos mais típicos da cozinha goiana, compõe receitas como galinhada, feijão, arroz, pamonha e até biscoito de polvilho. Também é muito comum encontrá-la na forma de conserva em vinagre, o que amplia as alternativas de comercialização – e, com isso, os ganhos do produtor.
Integrante da espécie Capsicum chinense, a mesma de pimenta-biquinho, cumari-do-pará, pimenta-de-cheiro e murupi, a pimenta-de-bode, também conhecida como pimenta-bode, é originária do Norte do país, mais especificamente da Bacia Amazônica, mas seu plantio ocorre em várias regiões. A hortaliça adaptou-se muito bem ao clima quente de Goiás e Minas Gerais, estados que lideram a produção nacional. Não há registros precisos sobre o início do cultivo, mas sabe-se que a produção ocorre há várias gerações, especialmente em canteiros goianos.
Com cerca de 70 centímetros de altura e até 1 metro de largura, a pimenta-de-bode é uma planta de porte médio, o que facilita o cultivo em espaços reduzidos. Seus frutos, arredondados ou achatados, geralmente pendentes, são vistosos, nas cores verde, roxo, preto, vermelho e amarelo, além de salmão e laranja-claro, as tonalidades mais comuns na colheita. O contraste dos frutos, vibrantes, com as folhas verdes faz com que muita gente utilize a hortaliça como planta ornamental.
A pimenta-de-bode tem picância e aroma acentuados. Aliás, é por ter cheiro marcante, assim como o bode, que a planta recebeu o nome pelo qual é chamada nas regiões central e norte do país. Em São Paulo, ela é conhecida como pimenta-de-cheiro. Esse é o mesmo nome que, em Goiás, se dá a uma outra hortaliça, de pouca ardência, mas não se trata da mesma variedade: elas são homônimas.
Início
Com medidas preventivas, como uso de mudas sadias, boa ventilação e rotação de culturas, que ajudam a evitar doenças e pragas, é possível cultivar a pimenta-de-bode até mesmo em pequenos espaços, como quintais ou vasos. Nos recipientes individuais, pode-se fazer o cultivo não somente para uso culinário, mas para fins ornamentais.
Frutos maiores, com 3 centímetros de comprimento e 2 centímetros de largura, são chamados de “bodona”, e versões menores (1 por 1 centímetro), de “bodinha”. A cultivar BRS Seriema, da Embrapa, dá origem a frutos com 1,5 centímetro de comprimento e 1,4 centímetro de largura, coloração verde arroxeada quando imaturos e que ficam vermelhos ao amadurecer.
Ambiente
De preferência, com clima quente, uma vez que a pimenta-de-bode não se desenvolve bem em locais com baixas temperaturas. O ideal é cultivá-la nos períodos mais quentes do ano, com temperaturas médias entre 21°C e 30°C.
Propagação
Para quem não tem prática de fazer mudas, é melhor comprálas de viveiristas. É importante escolher mudas de boa qualidade, já que, se estiverem contaminadas, elas podem comprometer todo o plantio. Como alternativa, produza suas próprias plantas a partir de sementes, disponíveis em lojas de produtos agropecuários ou em empresas especializadas.
Utilize bandejas de isopor com número de células entre 72 e 200, ou de plástico (128 ou 200 células), preenchidas com substrato específico para hortaliças. Mantenha as plantas em ambiente protegido, como telados.
Plantio
Pode ocorrer em canteiros, mas é mais comum fazer o plantio em sulcos com 30 a 40 centímetros de largura e 20 a 25 centímetros de profundidade. O solo, no entanto, deve ser profundo, leve, fértil e bem drenado, com pH entre 5,5 e 6,8. Evite os salinos, que são danosos à cultura, e os encharcados, já que o excesso de água pode prejudicar as raízes da pimenta-de-bode.
Espaçamento
Recomenda-se de 0,8 a 1 metro entre plantas e de 1 a 1,2 metro entre linhas, o que garante espaço suficiente para cada exemplar se desenvolver. Antes do plantio, para fazer um bom preparo do solo, não se esqueça de incorporar matéria orgânica e fertilizantes.
Adubação
As doses de calcário e a adubação devem se basear na análise de solo, seguindo recomendações técnicas que, muitas vezes, são semelhantes às do pimentão. Incorpore a matéria orgânica uma semana antes do plantio e, na véspera, os fertilizantes.
Irrigação
Em locais com boa distribuição de chuvas, a irrigação pode não ser necessária, porém, em regiões mais secas, não deixe de irrigar, para assegurar a produtividade. Equipamentos com sistema de aspersão são os mais comuns nas regas.
Poda
Adote apenas para facilitar o manejo e retirar brotações indesejadas, como as que aparecem na haste principal abaixo da primeira bifurcação. A desbrota das laterais também ajuda a evitar que os frutos fiquem próximos do solo e que a planta cresça de modo exagerado.
Cuidados
No dia a dia, capine regularmente para evitar competição entre a planta e espécies daninhas. Em regiões com ventos fortes, se for o caso, use tutoramento ou quebra-vento, adotando culturas como capim-elefante, milho ou milheto.
Produção
Depende da cultivar e das condições climáticas na época do plantio. No Brasil central, a colheita dos frutos maduros da BRS Seriema começa 90 dias após o transplante das mudas para o campo.
Mais informações
- Solo: profundo, leve, fértil e bem drenado, com pH entre 5,5 e 6,8;
- Clima: locais com altas temperaturas são os melhores para a planta;
- Área mínima: é possível fazer o plantio em vaso;
- Colheita: cerca de 90 dias após o plantio definitivo;
- Custo: mudas e sementes têm preços diversos em cada região.





