Nesta segunda-feira, 12, o Parque Estadual do Jalapão (PEJ) comemora seu 25º aniversário, consolidado como um dos maiores símbolos do Tocantins e uma joia de reconhecimento mundial. Criado pela Lei Estadual nº 1.203/2001 e gerido pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), o parque é um santuário de belezas naturais únicas – como suas icônicas dunas alaranjadas, fervedouros e cachoeiras – e de uma rica biodiversidade, abrigando mais de 400 espécies catalogadas, incluindo animais ameaçados como o pato-mergulhão, o tatu-canastra e o lobo-guará.
Com aproximadamente 159 mil hectares, a Unidade de Conservação de Proteção Integral tem a missão primordial de preservar os recursos naturais, permitindo apenas o uso indireto, como o turismo sustentável. A parceria com as comunidades tradicionais é apontada como um pilar desse sucesso. “O Parque do Jalapão resulta de um esforço coletivo para conservar esse ecossistema e a cultura das populações tradicionais, que são riquíssimas”, afirmou o presidente do Naturatins, Cledson Lima.
Apenas em 2025, o local recebeu 55 mil visitantes, o que demanda uma fiscalização rigorosa para minimizar impactos, conforme explica a diretora de Biodiversidade, Perla Ribeiro: “Buscamos assegurar que as atividades ocorram de forma ordenada e responsável”.
A preservação ambiental vai além da paisagem e envolve ações científicas de proteção a espécies emblemáticas. Um dos principais focos é o pato-mergulhão, classificado como criticamente em perigo de extinção. Em outubro de 2024, o Governo do Tocantins instituiu o Programa de Monitoramento e Conservação da espécie (Pro PaTO), que inclui medidas como monitoramento por GPS, instalação de ninhos artificiais e coleta de ovos para incubação em cativeiro, visando aumentar as chances de sobrevivência e reintrodução na natureza.
Outro símbolo da relação entre cultura e biodiversidade no Jalapão é o capim-dourado. A arte feita com a Syngonanthus nitens é um patrimônio cultural vivo das comunidades, e em 2024 Mateiros foi declarada Capital Nacional do Capim-Dourado. O Naturatins atua na regulamentação e no manejo sustentável da espécie, promovendo alternativas de renda que estejam alinhadas com a conservação.
A gestão do parque se baseia no tripé turismo ecológico, manejo sustentável e, especialmente, no Manejo Integrado do Fogo (MIF), prática implementada desde 2014 que tem reduzido significativamente os incêndios florestais. “Atuamos em conjunto com a comunidade… orientamos para um uso mais responsável dos recursos e para a prevenção de incêndios”, explicou a supervisora do PEJ, Rejane Ferreira. Esse modelo de gestão participativa, que envolve diálogo permanente com as populações locais, é considerado fundamental para garantir que as belezas e os recursos do Jalapão sejam preservados para as futuras gerações.




