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“Nenhum estudo diz que tríplice viral pode causar morte”, afirma SBIm

Presidente norte-americano Trump usou informações falsas para alegar que vacina tríplice viral pode causar morte e deve ser fracionada

por Metrópoles
14/08/2026
em Saúde
Tempo de leitura: 4 minutos
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Elen Sher/Unsplash

Elen Sher/Unsplash

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No início desta semana, o presidente norte-americano Donald Trump assinou uma ordem executiva para diminuir a quantidade de vacinas administradas para bebês. Uma das novas normas desobriga o uso da tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) — segundo Trump, o imunizante que combina três vacinas é perigoso e deve ser fracionado.

A tríplice viral foi criada nos anos 1970 e é usada no Brasil desde a década de 1990. “Todos os países desenvolvidos aplicam a vacina combinada. Que eu saiba, não existe estudo que aponte um aumento no risco de morte entre os pacientes. O óbito não é um efeito adverso esperado“, afirma o infectologista Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

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O infectologista Klinger Faíco, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que circula desde o começo do ano um suposto estudo que alega “milhares de vezes mais mortes” causadas pela tríplice viral do que pelo próprio sarampo.

“Esse número é falso e nasce de um erro de método bem conhecido: ele usa os dados do VAERS, o sistema americano em que qualquer pessoa pode registrar eventos de saúde ocorridos depois de uma vacina. Esses registros não são verificados, não comprovam que a vacina causou o problema e não têm base populacional para cálculo. Comparar esses relatos brutos com mortes confirmadas por sarampo é como comparar boatos com laudos”, afirma o médico.

O estudo mais robusto aceito é uma revisão de Cochrane feita em 2020 reunindo 138 estudos e dados de mais de 23 mil crianças. Os cientistas não encontraram ligação entre vacina e autismo, asma, diabetes ou outros danos graves à saúde.Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

Vacina segura

A vacina usa vírus atenuados para criar uma imunidade contra três patógenos no organismo. Os efeitos adversos são febre, mal estar no corpo e, eventualmente, pequenas manchas que aparecem na pele e duram de três a cinco dias.

“A maioria dessas reações é autolimitada, sem complicações ou sequelas. Reações graves são extremamente raras“, afirma o site do Ministério da Saúde. A maioria dos casos complicados acontece em pessoas com imunodeficiência grave que não tinham diagnóstico.

Cunha explica que a tríplice viral é uma vacina considerada barata e, por isso, usada na maioria dos países.

“Eliminamos o sarampo por causa dessa vacina em 2016 e 2024, não temos mais casos de rubéola congênita e materna e percebemos uma diminuição muito importante dos casos de caxumba por causa dela. É um imunizante seguro e eficaz”, afirma o diretor da SBIm.


Público-alvo da tríplice viral

  • Primeira dose é recomendada aos 12 meses de idade e a segunda deve ser administrada três meses depois.
  • A segunda dose inclui ainda a vacina contra a varicela (catapora).
  • Crianças com mais de cinco anos e adultos com até 29 anos devem receber duas doses da vacina com 30 dias de intervalo, caso não tenham sido vacinados na primeira infância.
  • Adultos de 30 a 59 anos na mesma situação devem tomar apenas uma dose.
  • Gestantes, pessoas imunosuprimidas, indivíduos com histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina e crianças menores de 6 meses não devem receber a injeção.

Sugestão norte-americana não é bem aceita

A comunidade científica não acredita que dividir a vacina tríplice viral em três vacinas diferentes é uma sugestão válida. Além da falta de estudos que apontem risco no imunizante, não há comprovação de mudança na eficácia.

Outro problema é que dividir a vacina obrigará os pais a levar os filhos para tomar a injeção três vezes separadas, o que pode diminuir a adesão.

Em 1993, o Japão fez um experimento semelhante, dividindo a vacina em três e desobrigando a de rubéola. O resultado foi o esperado: a população abandonou o imunizante da rubéola, e um surto da doença logo se espalhou pelo país. As vacinas de sarampo e caxumba também tiveram queda na procura, e os casos subiram.

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