Quando chegou a Santa Fé, na Argentina, Agatha Amaral ainda estava tentando se acostumar com a vida que havia começado poucas semanas antes. A nadadora do DF tinha acabado de se mudar para os EUA, morar sozinha e ficar longe da família pela primeira vez. Mesmo diante do cenário adverso, ela entrou na piscina e conquistou dois ouros e uma prata no Sul-Americano.
“Foi uma felicidade muito grande, mas também um alívio. Eu estava passando por um momento difícil e conseguir ganhar o ouro foi muito importante para mim”, disse em entrevista exclusiva ao Metrópoles.
Aos 18 anos, ela venceu os 400m e os 200m medley e ficou com a prata nos 200m peito. Nas duas primeiras prova, completou a distância em 4min46s65 e 2min15s25. Depois, voltou ao pódio com 2min29s97, atrás da argentina Macarena Ceballos.Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
As duas conquistas foram as primeiras de Agatha no Sul-Americano na categoria principal. Ela já havia levado medalhas no Sul-Americano Juvenil, além de acumular resultados importantes em diversas competições nacionais e internacionais, como o ouro no Pan-Americano Júnior, conquista que considera a favorita da carreira até então.
“Foi um mês muito difícil. Eu tinha acabado de me mudar para os Estados Unidos. Foi a primeira vez que eu fiquei longe dos meus pais, da minha família. Eu estava morando sozinha, tinha poucos amigos. Eu fiquei bastante ansiosa. Tentei não criar muita expectativa e aproveitar o máximo da competição”, contou.
Mudança para os EUA
A oportunidade de estudar e nadar nos Estados Unidos apareceu ainda no segundo ano do ensino médio. Quando abriu o período de recrutamento, Agatha se deparou com uma quantidade de mensagens que não esperava receber.
“Eu abri meu e-mail e tinha umas 40 mensagens de universidades. Eu fiquei muito chocada com a quantidade. Comecei a conversar com os técnicos, com as faculdades, fui diminuindo as opções até escolher a que eu estou hoje (University of South Carolina)”, relembrou.
A mudança colocou a nadadora diante de uma experiência inédita. Pela primeira vez, a rotina de treinos passou a acontecer longe de Brasília e sem a presença diária dos pais, dos amigos e do treinador.
“Eu achava que não ia sentir saudade, porque eu sempre quis muito ir para os Estados Unidos. Só que quando eu cheguei lá, percebi que eu sentia muita falta da minha família, dos meus amigos, de tudo”, contou, aos risos.
Os fins de semana eram um dos momentos em que a distância mais aparecia. Sem a rotina que tinha em Brasília, ela precisou encontrar outras formas de ocupar o tempo.
“No começo, foi um pouco difícil, porque eu estava acostumada a estar sempre com a minha família e com meus amigos, em Brasília. Aqui, no fim de semana, não tem tanta coisa para fazer. Então, eu tive que aprender a aproveitar a minha própria companhia”, disse.
Natação, faculdade e adaptação
A mudança de país também veio acompanhada de uma nova proposta como atleta universitária. A brasiliense passou a dividir o dia entre a piscina, a faculdade e os trabalhos do curso.
Veja as provas de Agatha no Sul-Americano:
Porém, entre tantas novidades, uma delas apareceu logo de cara: a comida. Acostumada a outra rotina alimentar, a atleta passou a conviver com sanduíches e opções mais gordurosas. Para quem vive como atleta de alto rendimento, ela percebeu que a alimentação também faria parte do processo de adaptação.
“A primeira coisa que me chocou foi a comida. É muito diferente. Lá tem muito sanduíche, muita comida mais gordurosa. Eu sinto muita falta de arroz e feijão”, contou.
Segundo dados da revista norte-americana CEOWORLD Magazine, os Estados Unidos lideram a lista de países com maior consumo de fast-food e também têm a maior indústria do setor no mundo.
Aprendizado antigo
A adaptação aos Estados Unidos não foi a primeira vez que a promessa da natação brasileira precisou atravessar uma fase difícil. Aos 14 anos, passou cerca de um ano treinando sem conseguir transformar o esforço em bons resultados.
“Eu treinava muito, mas não conseguia nadar bem. Foi um período que eu pensei em desistir. Só que eu nunca consegui me imaginar sem a natação”, disse.
A troca de treinador ajudou a mudar aquele cenário. A melhora veio depois, mas a experiência deixou uma lição que a nadadora levou para as etapas seguintes da carreira.
“Foi quase um ano passando por isso, e eu aprendi que a adversidade faz parte do esporte. Todo mundo passa por momentos assim”, afirmou.
Em Santa Fé, a dificuldade tinha outro formato. Era a saudade, a vida longe de casa, a adaptação à nova rotina e a despedida do treinador de Brasília. Ainda assim, Agatha saiu da Argentina com o ouro nos 400m medley e 200m medley, além da prata nos 200m peito.






